O ser humano vem sofrendo com as dificuldades impostas nos tempos atuais. A concorrência profissional, a falta de dinheiro, os problemas familiares. Isso faz com que acarretam grandes consequências como o estresse, à falta de esperança e a ansiedade.

Com a imposição destes, torna-se necessário que o ser humano tenha uma vida corrida e competitiva. Sem que ele perceba, já se encontra dentro de um mundo fechado. Com isso, o Espírito que gera frutos de amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio vêm diminuindo cada vez mais na vida das pessoas.

Quantas pessoas vêm diluindo suas vidas por não pararem para descansar, ou talvez, por não desacelerarem o cérebro e pensarem mais de mil coisas em tão pouco tempo?

Não podemos permitir que essa correria nos sufoquem e acarretem em nós doenças físicas e psicológicas que nos impedem de viver uns para os outros e de sermos a presença de Deus na vida de nossos irmãos e irmãs.

Os discípulos de Emaús, não reconhecem Jesus durante o caminho porque estavam sufocados pela angústia, medo e falta de esperança. Estes sentimentos se faz presente em nós e muitas vezes são brutais e nos impedem de reconhecer o Mestre, ou até mesmo quem está ao nosso lado.

Quando desaceleramos somos capazes de ver, ouvir e sentir, e passamos a perceber os pequenos gestos, o que é muito difícil em nossos dias. Os discípulos só reconheceram Jesus quando pararam para descansar e reconheceram-no ao partir do pão. Gesto este tão simples, mas capaz de mostrar a grandeza de Jesus em viver a unidade e de mostrar como podemos ser irmãos uns dos outros.

A vida não é tão simples e muito menos uma equação lógica de se resolver. A complexidade dela se resolve com a simplicidade dos pequenos gestos. Ao estar desacelerado somos capazes de distanciar do que estamos vivendo e passamos a ter uma visão geral de tudo que está ao nosso redor.

Sendo assim, podemos olhar para traz e aprendermos com nossos erros, e percebermos que somos capazes de recomeçar e fazer tudo diferente. Podemos olhar para o lado e enxergar o nosso próximo, aquele que muitas vezes só necessita de um abraço fraterno e uma palavra amiga. Podemos olhar para frente e ver para onde estamos indo e devemos questionar se essa, realmente é a direção que devemos tomar, pois é assim que acertamos o caminho e seguimos rumo à felicidade. Podemos olhar para baixo e ver onde estamos pisando, se há algum risco de cair, machucar ou até mesmo se estamos pisando em alguém. E podemos, sobretudo, olhar para cima e ver Aquele que nos estende a mão quando o mundo tira de nós aquilo que somente Deus pode nos dar, os frutos do Espírito Santo.

Robert Henrique Sousa Dantas

Postulando no Seminário Dom Helder Câmara 

23/12/2018