No dia 8 de setembro, as comunidades da paróquia irão celebrar a eucaristia, da liturgia do 23º Domingo do Tempo Comum, em intenção aos 144 anos de fundação da Congregação Verbo Divino. Nesse dia, também será celebrado o Domingo Missionário Verbita, no qual as coletas desse ano serão destinadas para o Norte da Índia.

A Sociedade Verbo Divino (SVD) foi fundada pelo padre alemão Arnaldo Janssen com o intuito de enviar missionários de língua alemã aos países onde o Evangelho ainda não era suficientemente conhecido.  Sua intensa vida de oração, seu amor a Deus e seu desejo constante de fazer a vontade divina o levaram a fundar, ele mesmo, a casa missionária. Devido à perseguição que o governo alemão infringia à Igreja, teve de fazê-lo na Holanda na fronteira com a Alemanha. Para esse fim, comprou uma antiga hospedaria em Steyl, às margens do Rio Mossa, e iniciou sua obra em 8 de setembro de 1875.

A SVD está presente nos cinco continentes, em mais de 70 países. São mais de de 6 000 membros, entre padres e irmãos, que anunciam o Evangelho nas mais diversas situações e promovem a vida humana, seguindo o mandato de Jesus, o Verbo Divino. Mesmo tendo sido fundada em Steyl, na Holanda, a sede da Congregação encontra-se em Roma, Itália. 

Segundo as Constituições, “O amor e a graça de Deus nos reuniu de vários países e continentes em uma Congregação missionária e religiosa, dedicada ao Verbo Divino e identificada com seu nome” (Prólogo das Constituições SVD).

A missão verbita é entendida como diálogo profético, por meio do qual os missionários entram em contato com diferentes realidades e se enriquecem mutuamente por meio desse encontro. O diálogo profético da SVD se dá preferentemente com os empobrecidos, com os que não têm fé ou a buscam, com os de outras culturas e com os membros de outras religiões. 

Em seu anúncio da Palavra de Deus, os verbitas buscam que o serviço seja marcado pelo Apostolado Bíblico, a Animação Missionária, o trabalho com a Justiça e Paz e Integridade da Criação (Jupic) e a Comunicação Social. Essas quatro dimensões estão presentes nas diversas áreas em que atuam, como paróquias, escolas e universidades, meios de comunicação, pastoral vocacional.

O objetivo da missão atual é o mesmo desde os tempos de nosso Fundador: “Proclamar o reinado do amor de Deus” como destino comum de toda a humanidade e horizonte para onde peregrinamos. A missão nasce do amoroso diálogo interno do Deus Uno e Trino, um diálogo de amor e de reconciliação com toda a humanidade. Nós não inventamos a nossa própria missão, mas vivemos a missio Dei (a missão de Deus). Somos chamados pelo Pai, enviado pelo Verbo e guiados pelo Espírito.

Damos testemunho do Reino em um mundo profundamente dividido por causa de crenças, classes sociais, culturas e religiões. Assim, vamos ao encontro dos outros, em um diálogo profético, buscando superar as divisões que nos separam uns dos outros e de Deus. Nossa missão de diálogo profético está a serviço da comunhão e se orienta pela manifestação final do Reino de Deus.

Santo Arnaldo Janssen e São José Freinademetz

Em 2003 o papa São João Paulo II, canonizou Santo Arnaldo Janssen (Fundador da Congregação) e São José Freinademetz (Primeiro Missionário Verbita).

Santo Arnaldo dedicou sua vida à missão. Sua frase “O anúncio do Evangelho é a forma mais sublime de amor ao próximo” expressa bem o modo como ele consagrou todas as suas energias à obra evangelizadora. Faleceu em 15 de janeiro de 1909. Foi beatificado pelo Papa Paulo VI em 19 de outubro de 1975 e canonizado pelo Papa João Paulo II em 5 de outubro de 2003.

José Freinademetz (ou Fu Shenfu- “Padre Feliz”, como era chamado) trabalhou incansavelmente pelo desenvolvimento da missão. Atuou como missionário itinerante, pró-vigário, administrador da missão, superior provincial e visitador da Congregação. Em muitas ocasiões, sua vida esteve em risco. Sofreu violência por parte dos que se opunham à ação dos missionários e arriscou-se a ser contaminado para cuidar dos doentes durante uma epidemia de tifo. Preocupou-se muito com a formação dos catequistas, que coordenavam muitas das comunidades. Morreu no dia 1º de janeiro de 1908, vítima de tifo. Foi beatificado pelo Papa Paulo VI em 1975 e canonizado em 2003 pelo Papa João Paulo II.

Bem-aventurados Mártires 

Bem-aventurados Luis, Estanislau, Aloísio e Gregório, mártires. Os bem-aventurados Luis Mzyk, Estanislau Kubista, Aloísio Liguda e Gregório Frackowiak são missionários do Verbo Divino que nasceram na Polônia e foram martirizados em campos de concentração nazistas durante a Segunda Guerra Mundial.

Padre Luis Mzyk – Nasceu em 1905, filho de um camponês que logo se tornou trabalhador nas minas de carvão. Ingressou na Congregação do Verbo Divino em 1918 e foi ordenado em 1932. Logo foi destinado a trabalhar como mestre de noviços. Quando o Exército alemão invadiu a Polônia, o seminário de Santo Estanislau, onde ele atuava, foi transformando em prisão, e o Pe. Luis enviado a um campo de concentração. Depois de suportar dificuldades e humilhações, foi assassinado com um tiro na cabeça, no dia 20 de fevereiro de 1940.

Padre Estanislau Kubista – Nasceu em 1898, filho de um lenhador e de uma dona de casa. Em 1912, ingressou no seminário menor da Congregação do Verbo Divino, em Nysa, Polônia. Em 1921, professou os primeiros votos no seminário de São Gabriel, na Áustria. Foi ordenado padre no dia 28 de maio de 1927. Foi destinado à Polônia, onde se dedicou ao apostolado dos meios de comunicação, como redator de várias revistas missionárias (algumas das quais ele mesmo fundara), diretor da gráfica e da editora verbita. Atuou também como ecônomo provincial.

Em setembro de 1939, os alemães invadiram a Polônia. O seminário de Górna Grupa, onde morava o Pe. Estanislau, foi ocupado pelos nazistas que submeteram os membros da comunidade verbita, junto com outro grupo de padres, ao trabalho forçado no campo. Em janeiro de 1940, os padres foram levados para o campo de concentração de Stutthof e, em abril do mesmo ano, foram transferidos para outro campo de concentração, desta vez em Sachsenhausen, próximo a Berlin. Com a saúde cada vez mais debilitada, Pe. Estanislau foi finalmente martirizado, no dia 28 de abril de 1940, por um soldado nazista que lhe pisoteou, esmagando-lhe o tórax e a garganta.

Padre Aloísio Liguda – Nasceu em Winów, em 1898, em uma família de lavradores. Com 13 anos de idade, ingressou no seminário menor em Nysa. Em 1927, foi ordenado padre e destinado ao seminário menor em Górna Grupa. Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial e a invasão dos alemães, os membros da comunidade verbita foram aprisionados junto a outros religiosos. Em janeiro de 1940, o Pe. Aloísio foi transportado para o campo de concentração em Stutthof, junto a outros oitenta e um sacerdotes. Mais tarde, foi transferido para Grenzdorf e logo para Dachau. Foram dias duros, nos quais, apesar dos maus-tratos, Pe. Aloísio encontrava ânimo para confortar os demais. Por ter cidadania alemã, poderia ter melhorado o seu tratamento no campo de concentração, mas permaneceu fiel à Igreja e ao seu povo, solidário com os demais padres que não contavam com nenhum privilégio. Foi afogado em um tanque de água gelada em 9 de dezembro de 1942.

Irmão Gregório Frackowiak – Nasceu em Lowecice, em 1911. Seus pais possuíam uma pequena lavoura. Em 1929, ingressou no postulantado para irmãos, na casa missionária em Górna Grupa. Emitiu os seus primeiros votos em 1932. Trabalhou como encadernador na gráfica verbita e ensinava a profissão aos alunos do seminário. Com a ocupação nazista, em 1939, os padres receberam ordem de prisão. Os irmãos poderiam voltar espontaneamente para suas famílias, mas o Ir. Gregório permaneceu, solidário aos seus confrades. Em 1940, os padres foram transportados a um campo de concentração, e o Ir. Gregório foi obrigado a deixar Górna Grupa. De volta à casa familiar, prestava ajuda ao seu antigo mestre de noviços, que atendia a três paróquias da região. As proibições alemãs impediam o trabalho pastoral dos padres. O Ir. Gregório visitava os idosos e doentes, dava catequese às crianças e batizava os recém-nascidos.

O Movimento de Resistência Polonesa editava um boletim clandestino, chamado “Por ti, Polônia”, que o Ir. Gregório ajudou a divulgar durante um tempo. Em outubro de 1942, a Gestapo efetuou uma série de prisões por causa desse boletim e procurava prender também o Ir. Gregório. Ao saber disso, induziu os prisioneiros a lançar sobre ele toda a responsabilidade. Dizia que, entre os acusados, havia muitos pais de família, e ele poderia assumir toda a responsabilidade para salvá-los. Assim foi feito. O Ir. Gregório foi preso, e os demais, libertados. Depois de estar encarcerado em vários lugares, sofrendo humilhações e tortura, foi finalmente condenado à morte e decapitado no dia 5 de maio de 1943.

Os bem-aventurados mártires verbitas poloneses derramaram o seu sangue por fidelidade ao Evangelho. Junto a outros 108 mártires, foram beatificados em Varsóvia, no dia 13 de junho de 1999, pelo Papa João Paulo II.

Fonte: SVD Cúria – Província Brasil Norte