Por Robert Henrique Sousa Dantas[1]

A moral cristã é dotada de valores, cujo evangelho situa o horizonte da moralidade cristã. Ou seja, o modo como Jesus agiu deve iluminar a ação do cristão. Diante dela, todos têm o mesmo direito, independente de ser cristão ou não.

A mensagem de Jesus pode ser sintetizada em dois pontos: somos filhos do único Pai celeste e, por conseguinte, somos irmãos uns dos outros. Nisto se baseia os dois pilares, indissoluvelmente ligados entre si, que regulam toda a moral cristã: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o coração” e “amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mt 22,37.39).

Infelizmente, essa mensagem ainda não é compreendida por muitos. E em nome do Amor (Deus) os homens fizeram e fazem as maiores atrocidades. Falar em nome de Deus, não é pregar os nossos interesses particulares, mas sim anunciar um Deus que está junto com o povo que sofre e que luta.

Tendo em vista que a moral cristã é baseada nos valores práticos e éticos de Jesus, é perceptível, que ela não exclui nenhum indivíduo, mas inclui todos sem nenhuma distinção de cor, religião, nacionalidade, gênero, orientação sexual e política. Jesus diz: “Eu vim para que todos tenham vida, e a tenham com abundância” (Jo 10 – 10). Entretanto, o agir cristão da igreja pode excluir, pode-se pautar por “pré-conceitos” e relegar o direito da liberdade daquele que é diferente.

“A Igreja deve ir ao encontro dos que vivem nas mais variadas periferias existenciais. Ela é chamada a conformar a sua ação à de Cristo, que em um amor sem fronteiras ofereceu-se por todos sem exceção”, diz Papa Francisco.

A igreja são as pessoas que dizem seguir Jesus, estas buscam o Pai que se concretiza e se revela na pessoa de Jesus. Então, construir o reino de Deus é construir através do gesto do próprio Jesus, ou seja, trazer os que estão à margem ao centro. A missão da igreja é incluir os que estão à margem.

Jesus foi um revolucionário de sua época, indo contra todas as leis para estar ao lado das mulheres, dos leprosos e entre outros. Isto é, Ele foi ao encontro dos que eram excluídos das leis, da sociedade. Nós enquanto cristãos devemos assumir o papel de Cristo em anunciar e denunciar. Quem são os excluídos das leis e da sociedade em nossos tempos atuais?

Cabe a nós, enquanto cristãos, a refletir e anunciar a fraternidade e igualdade. Não devemos buscar interesses próprios e políticas que favorecem somente alguns, mas sim ter a consciência de que todos nós somos filhos de Deus e, por conseguinte irmãos. Todos devem ser respeitados e reconhecidos na sua dignidade.

A solenidade de Corpus Chisti, enraizada no verdadeiro sentido, nos mostra como o Amor vai ao encontro das pessoas em nossos tempos.


[1] Discente do curso de Bacharel em Filosofia do Instituto Santo Tomás de Aquino e postulante da Congregação dos Missionários do Verbo Divino na província BRN (Brasil Norte). E- mail: robertprados777@gmail.com