Quando ouvimos falar sobre este tema, logo imaginamos agressão física… Ledo engano.

Ele muitas vezes vem mascarado de forma sutil e massacrante.  De que maneiras isto pode acontecer?

Em uma conversa comum o outro fazer com que sinta que você não entende nada ou está sempre errado (o), não precisa haver discussão, mas a forma como é dito (humilhando, desqualificando ou diminuindo o outro).

“Quando há discordância do outro, e ele o (a) rotula: “Você é louca”,” isto é coisa da sua cabeça, “ faz um drama à toa”. Isto é chamado gaslighting, e é um abuso emocional, que você começar a questionar sua própria compreensão de realidade.

Outra forma de relacionamento abusivo é o outro achar-se no direito de controlar sua vida e as suas consequências, como tirar sua maquiagem, reclamar da sua roupa, impedir ou humilhar por ter amigos do sexo oposto, tentar controlar seu comportamento. Extrapolando para a violência patrimonial, onde passa a não ser mais sua vontade, passando o mesmo a controlar suas contas, roupas e dinheiro, até seus gastos, etc.

Conduzi-lo (a) a fazer a vontade alheia e não as suas, sob coação ou ameaça, e o outro reage por medo,  desmerecendo assim seus interesses e prevalecendo os(as) do(a) outro(a).

Ainda outros como: uso de força física para “acalmar”, usar palavras como: “ além de mim ninguém irá te amar assim!”, ou mesmo “ninguém irá aceita-lo(a) ou queres você, além dele. Reage de maneira indiferente ou ignorando suas conquistas pessoais e situações boas que lhe acontecem. Proibi-lo(la) de conversar com as pessoas que o próprio não quer longe dele(a), ou tentar convencê-lo (la), que a única opinião correta é a do mesmo(a).

Mesmo não havendo agressão física, utiliza objetos do ambiente para descarregar seus desagrados, e ainda faze-lo (la) sentir-se culpado(a) por isto.  E as mais evidentes que seriam, gritar com o outro, agredir fisicamente, e prometer não ter mais tais atitudes e frequentemente não cumpri-las.

Caso tenha identificado com quaisquer destas situações, observe e perceba onde o seu amor próprio se “encolhe” e sente-se inibido ou com medo. Coloque-se sem confrontar-se com a pessoa sua insatisfação.

Estes casos podem ser mais comuns entre casais (casados, noivos, namorados), pela relação mais constante e próxima, porém, podem ocorrer, entre pais e filhos, filhos e pais, vizinhos, “amigos”, e em outros grupos sociais onde você conviva.

O importante é que busque ajuda e converse com alguém de sua confiança, no caso de mulheres, que infelizmente, são mais comuns, ligue para 180(Central de Atendimento a Mulher), que funciona 7 dias por semana 24 horas/dia. Ou procure uma delegacia de mulheres.

Importante salientar que segundo o mapa da violência, de 2015, o homicídio de mulheres no Brasil foi de 2 a cada 3 vítimas, atendidas pelo SUS.

Não negue-se o direito de ser feliz e ter a auto estima preservada, faz muito bem a você e quem o cerca.

Se o abusador consegue identificar-se, porém tem dificuldades de rever seus comportamentos, atém mesmo por ter histórico semelhante, é uma boa hora de reaprender a humanizar suas relações sociais. Procure uma ajuda psicoterápica e se necessário, o próprio terapeuta o encaminhará para os tratamentos que te ajudarão a rever o próximo como parceiro e não como objeto de pertença.

 

Lara Reis

Psicóloga Clínica – Pós graduação em psicopedagogia Clínica e Institucional – UEMG