O Projeto Proclamar a Palavra propõe para os próximos quatro anos, quatro pilares, contendo três diretrizes para cada um. Na assembleia paroquial que será realizada no domingo 9 de fevereiro, os coordenadores e vice de pastorais, movimentos e comunidades deverão escolher uma diretriz para cada um dos pilares. Conheça as diretrizes: 

Casa da Palavra

Manter aberta a porta de acesso à Palavra de Deus é oferecer oportunidade permanente de vida nova a cada pessoa, a cada família, comunidade e à sociedade. Além disso, ser uma Igreja cuidadosa com o anúncio da Palavra de Deus leva-nos a transformar o jeito de ser comunidade, que precisa estar sempre a serviço da Iniciação à Vida Cristã. Nessa perspectiva, a catequese, necessariamente, cultiva e exercita a escuta atenta da Palavra de Deus e inicia adultos, jovens, adolescentes e crianças no seguimento a Jesus, na família, na comunidade cristã e na participação cidadã da sociedade. A catequese precisa adotar um estilo mistagógico ao conduzir os catequizandos ao encontro com Jesus Cristo, até que sejam verdadeiros seguidores de Jesus, comprometidos com o Reino de Deus, do qual são testemunhas.

Diretrizes para fazer da Comunidade Casa da Palavra:

a) Garantir a Celebração da Palavra de Deus, com a comunhão
eucarística, especialmente aos domingos, presidida por cristãos
leigos e leigas, ministros da Palavra para isto preparados ou diáconos permanentes, como prioridade missionária, em todas as
comunidades eclesiais, vilas, favelas, edifícios, condomínios, hospitais, cemitérios e outros ambientes que não tenham a oportunidade da Celebração da Eucaristia.

b) Criar, ampliar e acompanhar Grupos de Reflexão Bíblica,
Encontros Bíblicos, Círculos Bíblicos, Leitura Orante da Palavra
de Deus e outros meios possíveis na cultura digital, a fim de que
cresça o encontro dos fiéis com a Palavra de Deus, fomentando o
espírito comunitário em redes de pequenas comunidades.

c) Promover a catequese atenta à cultura urbana, por meio de
metodologias e linguagens que utilizem a arte, como a música,
cinema, teatro, imagens e outros recursos, a serviço da educação
da fé. 

Casa do Pão

Deus caminha ao nosso lado, mistura-se em nossas casas, em
nossas “panelas”, como disse Santa Tereza D’Ávila. É Deus que se
faz “Pão da Vida” (Jo 6,35), na mesa da Eucaristia, que é a mesa da comunidade. Essa mesa do “Pão da Vida”, memória da Páscoa do
Senhor, ao redor da qual a comunidade se nutre e se fortalece, gera a
vida em comunhão e pressupõe o testemunho do que se celebra. Na
comunidade de fé, cultiva-se a vida de oração enraizada na Palavra
de Deus, que também é expressão da espiritualidade do seguimento
de Jesus. Não podemos esquecer que a Eucaristia faz a Igreja-comunidade
e a Igreja-comunidade faz a Eucaristia. Comunga na mesa da Eucaristia quem comunga na vida. É preciso tornar-se pão para o irmão,
quando recebemos o Pão, que é Jesus.

Diretrizes para fazer da Comunidade Casa do Pão:

a) Valorizar a religiosidade popular no processo de evangelização, sobretudo, nas cidades históricas, santuários, comunidades
quilombolas e nas famílias, como um caminho para aprofundar
a fé, iluminado pela Palavra de Deus, com vistas à pertença e à
participação na comunidade eclesial.

b) Garantir que as orientações do Secretariado Arquidiocesano de Liturgia (SAL) sejam assumidas pela Pastoral Litúrgica,
nas Paróquias e Comunidades, para celebrarmos cada vez mais
como celebra a Igreja e sermos uma Igreja que nasce e vive da
Eucaristia.

c) Investir no cultivo da espiritualidade do seguimento a Jesus Cristo, nos processos de formação inicial e permanente dos
presbíteros, dos diáconos, da vida consagrada, dos agentes das
pastorais, dos conselheiros em todos os níveis e dos líderes dos
movimentos, para superarmos as experiências religiosas fechadas em si mesmas, o conservadorismo e o clericalismo. 

Casa da Caridade

Nada e ninguém poderá nos separar do amor de Deus (cf. Rm 8,35-39). Na cidade, na família e em todos os ambientes, somos chamados a mostrar que esse amor está no meio de nós como um Pai misericordioso que abraça, acolhe e é boa notícia para os pobres, alívio para os aflitos, consolação para os que estão tristes, liberdade para os cativos e encarcerados (cf. Is 61,1; Lc 4,18). “Eles eram perseverantes […] na comunhão fraterna, na fração do pão” (At 2,42). As muitas realidades de pobreza marcadas por injustiças sociais, desigualdades, exclusão e marginalização desafiam-nos a assumirmos uma postura fraterna e profética, comprometendo-nos com ações que transformem essas realidades à luz da Palavra de Jesus, visando o resgate da dignidade dos mais sofridos.

Diretrizes para fazer da Comunidade Casa da Caridade:

a) Praticar a opção preferencial pelos pobres: • cuidando para que todas as instâncias da Arquidiocese sejam espaços de promoção da dignidade humana dos pobres e excluídos, especialmente, por meio dos Núcleos de Acolhida e Articulação da Solidariedade Paroquial (Naasp’s), da Rede de Articulação da Solidariedade (Reartisol), Pastorais Sociais e Movimentos Populares; • capacitando os agentes da evangelização para fazer das comunidades eclesiais e das famílias, casas de acolhida, encontro e cuidado dos mais pobres, nas diversas situações de vulnerabilidade, sobretudo, com migrantes e refugiados, exercitando a solidariedade e a inclusão.

b) Promover a ecologia integral e a presença pública da Igreja em todos os municípios que compõem a Arquidiocese: provocando uma “primavera das Pastorais Sociais”, priorizando-as, incentivando sua criação e organização onde não existem, incrementando as que já atuam, oferecendo adequada formação aos seus agentes, à luz da Palavra de Deus e da Doutrina Social da Igreja; • praticando o cuidado com a Casa Comum em todas as comunidades eclesiais, como exercício de um novo modo de ser no mundo e como exemplo das mudanças estruturais que levam a uma ecologia integral. De modo especial, envolver-se com as questões relativas às consequências da mineração.

c) Insistir, profeticamente, na criação e fortalecimento de Grupos de Fé e Política e outros organismos eclesiais, que propiciem, a partir da Palavra de Deus e da Doutrina Social da Igreja, o compromisso com a política e a cidadania, despertando o engajamento dos cristãos na defesa da vida, no empenho por políticas públicas que tenham em vista os irrenunciáveis direitos humanos e sociais.

Casa da Missão

O mundo urbano, sedento de sentido e de vida, é o cenário existencial da missão evangelizadora. Nos evangelhos, Jesus sempre motivou, propôs e enviou os discípulos a irem ao encontro dos outros onde estão e não onde gostariam que estivessem. Corajosamente, como Igreja em saída, precisamos ir sem medo aos novos lugares de missão.

Diretrizes para fazer da Comunidade Casa de Missão:

a) Priorizar a ação missionária nas vilas, favelas, edifícios, condomínios, povoados rurais, criando comunidades alicerçadas na Palavra de Deus, na comunhão fraterna, na fração do pão e na oração.

b) Investir na ação evangelizadora com as Juventudes, de forma a contemplar sua formação integral, espiritualidade, articulação e missão, por meio da criação e acompanhamento de atualizados Grupos de Jovens, como grupos de vivência e partilha, respeitadas a pedagogia e a psicologia das juventudes, utilizando adequados subsídios, com o apoio do Secretariado Arquidiocesano das Juventudes (SAJ).

c) Investir nas redes sociais como lugares de evangelização e profecia, que anunciam os valores do Evangelho, formam opiniões e denunciam a mentira (fake news), a violência e as injustiças, despertando pessoas, famílias, comunidades e a sociedade para a vivência da fraternidade e da comunhão nesses novos espaços, especialmente, por meio da ampliação e atuação da Pastoral da Comunicação (Pascom) e Rede Catedral em todas as comunidades.