A amamentação é a maneira natural de alimentar o bebê nos primeiros meses de vida. O leite materno é um alimento completo: ajuda na imunidade, previne infecções respiratórias, ajuda na constituição da face e na respiração. Também é responsável por promover um melhor crescimento e desenvolvimento, além de proteger contra as doenças. O  governo dos Estados Unidos foi na contramão de todas esses benefícios comprovados científicamente ao se posicionar contra resolução da ONU para promover o aleitamento materno em nível mundial.

A resolução da ONU, que conta com total apoio da Comunidade Científica, reafirma que o leite materno é mais saudável para as crianças e que os países devem se esforçar para restringir o marketing enganoso dos substitutos do leite materno.

A Pastoral da Criança defende que o aleitamento materno é um direito da mãe e do bebê e deve ser a alimentação exclusiva nos primeiros seis meses de vida: “a amamentação tem efeitos imediatos na prevenção de mortes infantis e, também, tem efeitos futuros por prevenir obesidade, hipertensão e diabetes na adolescência. Assim, deve ser tratada como tema de saúde pública, devendo sua prática continuar a ser incentivada por lei. As leis, aliás, devem ser melhoradas de forma a propiciar que todas as mães, não somente as que têm vínculo empregatício ou com a previdência, tenham o equivalente à licença maternidade”, reafirma Dr. Nelson Arns Neumann, Doutor em Saúde Pública e Coordenador Internacional da Pastoral da Criança.

A prática do aleitamento materno, aliada ao conhecimento dos benefícios da amamentação para o desenvolvimento do bebê, permeia a atuação da Pastoral da Criança em comunidades de baixa renda de todo o país. Desde a gestação, as mães são orientadas e incentivadas para amamentar seus bebês até dois anos ou mais.

Os pediatras brasileiros através da Sociedade Brasileira de Pediatria divulgaram nesta terça-feira (10) nota pública na qual lamentam posição do Governo dos Estados Unidos que adotou postura contra políticas favoráveis ao aleitamento em reunião realizada na Assembleia Mundial da Saúde, em Genebra, na Suíça.

NOTA À SOCIEDADE E AOS MÉDICOS: “Em defesa do aleitamento materno para todos os povos” 

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), em nome de cerca de 40 mil especialistas e de milhões de crianças e gestantes, vem a público lamentar posicionamento adotado pelo Governo dos Estados Unidos que, em debate sobre o fortalecimento do aleitamento materno em reunião da Assembleia Mundial da Saúde, em Nova Iorque, tentou intimidar países defensores dessa prática saudável com ameaças de sanções políticas e econômicas.

Trata-se de episódio lamentável, que merece repúdio por parte dos governos das Nações, como o Brasil, que identificaram na amamentação uma estratégia importante para o desenvolvimento das futuras gerações, com benefícios também para a saúde da mulher. O posicionamento dos Estados Unidos desconsidera quatro décadas de estudos científicos que comprovam a importância do aleitamento na prevenção de doenças e na redução da mortalidade infantil, entre outros pontos.

Infelizmente, atitudes como a da representação do Governo dos Estados Unidos beneficiam apenas os interesses da indústria de alimentos para bebês que movimenta cerca de US$ 70 bilhões no mundo, com crescimento estimado para este ano de 4%,
principalmente pelo aumento das vendas nos países em desenvolvimento.

Diante da polêmica estabelecida, a SBP reitera seu apoio incondicional à amamentação e pede ao Governo Brasileiro que adote medidas que estimulem a adesão das gestantes a essa prática. Dentre as ações possíveis, estão: promoção de campanhas informativas sobre seus benefícios; criação de uma rede de apoio às mulheres que amamentam em locais de trabalho e de estudo; e ampliação dos períodos de licençamaternidade para 180 dias para trabalhadoras nos setores público e privado.

Às vésperas do Agosto Dourado, mês consagrado pelo Estado Brasileiro à promoção do aleitamento, espera-se que as autoridades demonstrem seu compromisso com a
saúde de todos e com a modernidade, ao contrário daqueles que marcham na contramão da história e apegados a interesses privados em detrimento das conquistas coletivas.

Rio de Janeiro (RJ), 10 de julho de 2018.
Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP)

Saiba mais em: Pastoral da Criança – amamentação 

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