Paroquianos irão se reunir no dia 15 de janeiro, para celebrar a eucaristia em intenção a Santo Arnaldo Janssen, fundador da Congregação do Verbo Divino. A missa em ação de graças vai ser celebrada na Comunidade Verbo Divino, segunda-feira ás 20 horas na rua arpoador 107, bairro São Mateus.

História da caminhada

Arnaldo Janssen nasceu em 5 de Novembro de 1837 em Goch, na Baixa Renânia, Foram seus pais Geraldo Janssen e Ana Catarina Wellesen. O Senhor abençoou o casal com dez filhos, três dos quais faleceram poucos dias após o nascimento. Sobreviveram cinco irmãos e uma irmã de Arnaldo. Contraíram matrimónio a sua irmã Margarida, a mais velha, e os irmãos Geraldo, Pedro e Teodoro. Só Pedro teve filhos. O seu irmão Guilherme tornou-se frade capuchinho passando a chamar-se Frei Junípero. Arnaldo pagou os estudos do irmão mais novo, João, nascido em 15.10.1853. João ingressou na Congregação do Verbo Divino, recém-fundada, já diácono. Como sacerdote, foi um auxiliar valiosíssimo de Arnaldo. Mas morreu em 1898 com apenas 44 anos de idade. Arnaldo, depois de três anos de escola primária (1844-1847) e mais um de preparação numa pequena escola paroquial, recém inaugurada em Goch, foi admitido no colégio diocesano de Gäsdonk, situado na fronteira com a Holanda, a três quilómetros de Goch. Como aluno externo fez o exame final da escola secundária em 1855 em Münster. Embora já tivesse a intenção de ser padre, com 18 anos de idade, era ainda muito novo para entrar no seminário. Por isso, seguindo a sua inclinação natural, optou por estudar matemática e ciências naturais, primeiro em Münster (1855-1857) e depois em Bona (1857-1859). Após conclusão desses estudos, ficou habilitado a ensinar todas as disciplinas do curso secundário. No Verão de 1859, iniciou em Bona o estudo da teologia e, no Outono de 1861, recebeu a ordenação sacerdotal na catedral de Münster. Levando em conta a formação recebida pelo neo-sacerdote Janssen, o seu bispo nomeou-o professor do colégio diocesano de Bocholt, na Vestefália, onde exerceu o magistério durante 12 anos, ensinando principalmente matemática e ciências naturais. Durante esse tempo colaborou pastoralmente na paróquia de São Jorge.

A partir de 1865, começou a trabalhar para o Apostolado da Oração na diocese de Münster, primeiramente como promotor e, a partir de 1869, como diretor diocesano. Merecem destaque o seu Livro de Admissão ao Apostolado da Oração e o Pequeno Manual de Oração Comunitária, obras que difundiu com grande zelo. E, para dispor de mais tempo para esta atividade especificamente sacerdotal e apostólica, em 1873 deixou o cargo de professor e vice-reitor em Bocholt, assumindo o lugar de capelão das religiosas Ursulinas em Kempen.

Em Janeiro de 1874, fundou a revista de cunho popular Kleiner Herz-Jesu-Bote (Pequeno Mensageiro do Sagrado Coração de Jesus), destinada a promover tanto as missões no próprio país, como, muito especialmente, as missões estrangeiras, quer dizer, em terras pagãs. Muito em breve Arnaldo Janssen começou a falar na sua revista da necessidade imperiosa de fundar um seminário alemão das missões para a formação de missionários. Em Maio de 1874, Arnaldo Janssen entrevistou-se com Monsenhor Raimondi, co-fundador do Seminário das Missões de Milão, prefeito apostólico e, pouco depois, bispo de Hong-Kong, que se tinha hospedado na casa do P. Luís von Essen, pároco de Neuwerk, Mönchengladbach. A sugestão de Mons. Raimondi foi que, na falta de outro sacerdote disposto a fundar o tão necessário seminário alemão das missões, ele mesmo o deveria fundar. Este incentivo levou Arnaldo Janssen posteriormente a abrir a Casa Missionária de São Miguel, que se tornou a casa mãe da Congregação do Verbo Divino, em 8 de Setembro de 1875, em Steyl, concelho de Tegelen, na Holanda.

Crescimento

Apesar dos primeiros seis meses terem sido marcados por grande pobreza e por um sem número de dificuldades internas, a casa missionária conheceu um inesperado e feliz crescimento. Ano após ano, foi necessário erguer mais um edifício. O número de alunos e aspirantes a irmãos missionários aumentava a tal ponto que, no ano de 1900, a casa já abrigava 650 habitantes, contando mais ou menos com quarenta e cinco sacerdotes, duzentos e noventa irmãos professos e irmãos noviços e quase trezentos e vinte alunos, candidatos ao sacerdócio. Em tipografia própria editou-se, inicialmente, apenas o Pequeno Mensageiro do Sagrado Coração de Jesus. A partir de 1878, seguiram-se-lhe a revista Stadt Gottes (Cidade de Deus) e, desde 1880, o calendário de parede St. Michaelskalender (Calendário de S. Miguel). No Outono de 1877 deu-se início a uma nova atividade: os exercícios espirituais ou retiros que semanalmente atraíam centenas e até milhares de sacerdotes, leigos, tanto homens como mulheres, para alguns dias de reflexão espiritual. Os participantes, por sua vez, ampliavam o círculo de interessados, relatando-lhes a experiência vivida. Mas a grande fama que alcançou o novo seminário das missões ficou a dever-se principalmente às suas revistas que alcançaram grandes tiragens. O Pequeno Mensageiro do Sagrado Coração de Jesus, intitulado mais tarde Steyler Missionsbote (Mensageiro Missionário de Steyl), contava, em 1909, ano da morte do Fundador, com 41.000 assinantes. A Stadt Gottes tinha chegado a 220.000 e o St. Michaelskalender aos 655.000, a que se deve acrescentar a edição holandesa com 48.000 assinantes. Mais de 63.600 homens e mulheres, dos quais 6.387 eram sacerdotes e 8.555 professores, participaram em 592 cursos de exercícios espirituais. A partir de 1888, a Congregação do Verbo Divino abriu casas de formação em Roma (São Rafael); em Mödling, Viena (São Gabriel); em Nysa, Silésia, hoje Polónia (Santa Cruz); no Sarre, Alemanha (São Wendel); em Bischofshofen, Salzburgo, Áustria (SãoRuperto); e, finalmente, no Verão de 1908, a primeira casa missionária nos Estados Unidos da América do Norte, St. Mary’s (Santa Maria), em Techny, Chicago, estado do Illinois. A estas devem acrescentar-se as dezenas de campos de atividade e territórios missionários, assumidos em vida de Arnaldo Janssen, em todos os continentes. Ele próprio enviou mais de 800 missionários (333 sacerdotes, 301 irmãos e 187 irmãs) para a China, Togo, Nova Guiné, hoje Papua Nova Guiné, Japão, Argentina, Brasil, Chile e Paraguai. Foram também enviados missionários para a América do Norte para cuidar pastoralmente da população negra, bastante esquecida nos estados do Sul. À data da sua morte, encontravam-se quase concluídas as negociações para iniciar a atividade nas Filipinas, onde os missionários do Verbo Divino chegaram em 1909.

A participação das mulheres na evangelização

Arnaldo Janssen reconheceu, desde o início, a importância de contar com a colaboração de religiosas para a obra missionária. Todavia, só em 1889 fundou a congregação das Missionárias Servas do Espírito Santo, que se desenvolveu muito rapidamente. Quando ele faleceu em 1909, as religiosas em votos eram já 450, além de 80 noviças e 30 postulantes. Nessa altura, já trabalhavam lado a lado com os padres e irmãos do Verbo Divino na Argentina, Togo, Nova Guiné, Estados Unidos da América, Brasil, China e Japão. Uma fundação de religiosas adoradoras contemplativas, já prevista aquando da fundação das Irmãs Missionárias, teve lugar em 1896. O seu desenvolvimento permitiu-lhes continuar como instituto religioso autônomo, com o nome de Congregação das Servas do Espírito Santo da Adoração Perpétua. Este instituto contava em 1909 com 30 religiosas, incluíndo noviças e postulantes. Arnaldo Janssen dirigiu a obra missionária, por si fundada e desenvolvida, com o maior esforço e presença pessoal até ao dia em que sofreu um derrame, em fins de Outubro de 1908. Falecido em 15 de Janeiro de 1909, deixou atrás de si a Obra Missionária de Steyl que compreende três congregações religiosas. Deixou-as tão solidamente cimentadas que, apesar de graves crises e perdas  pessoais e materiais durante as duas guerras mundiais e a época do nacional-socialismo na Alemanha, puderam continuar a desenvolver-se até hoje. Arnaldo Janssen: um santo

A vida e a obra de Arnaldo Janssen são tão impressionantes que devemos reconhecer que ele realizou algo de extraordinário. E os resultados da sua atividade despertam tanto maior admiração quanto mais se consideram as claras limitações de aptidões e dotes naturais que, desde jovem, se manifestaram na sua pessoa. No colégio de Gäsdonk teve que repetir o 3º ano devido a lacunas dos anos anteriores, dado que a preparação recebida na escola paroquial de Goch fora insuficiente. Ele mesmo testemunhou várias vezes que teve de fazer grandes esforços nos seus estudos no colégio. Fala disso nas Reminiscências ditadas ao P. Reinke em 189911. Em 1902, disse ao seu secretário, P. Tiago Koch: “Ainda não consigo compreender como foi que me admitiram em Gäsdonk, em 1849, considerando que eu, em conhecimentos, ficava muito atrás dos outros. Nunca brilhei nos estudos, só uma vez mereci uma nota com louvor; mas um prémio, nunca”12. Devemos reconhecer, no entanto, os esforços sinceros nos estudos. Conseguiu bons resultados em matemática e ciências naturais e, embora não fosse tão bom em línguas e filologia, pôde, contudo, concluir com êxito o exame final em Münster em 1855 como aluno externo. Conforme o testemunho de alguns ex-alunos seus, em Bocholt não foi um professor brilhante, mas consciencioso e meti-culoso no seu trabalho. De facto, manifestou-se durante toda a vida um pouco complicado e lento no seu trabalho. Prova disso são os comentários negativos de pessoas que o conheceram, referindo-se aos seus planos sobre a fundação de uma casa missionária. Em vários escritos, Arnaldo mostra-se maravilhado com a grande facilidade e rapidez do P. Nicolau Blum no desempenho do seu trabalho. Então, diante de tais limitações humanas, como é que se explica que Arnaldo Janssen tenha cumprido a grande tarefa, confiada por Deus, de maneira tão fecunda e tenha levado a cabo a fundação e o desenvolvimento da Obra Missionária de Steyl? Num esforço para tornar mais compreensível a personalidade tão mal compreendida e, contudo, admirada, do Fundador da Obra de Steyl, escreve o P. Germano Fischer: “A chave para entender o carácter de difícil compreensão de Arnaldo Janssen é o seu modo profundamente ascético de pensar e julgar. Tornou-se quase natural para ele encarar com olhos sobrenaturais tudo o que lhe vinha ao encontro”. De fato, tanto na sua vida pessoal como no seu planeamento e ação, Arnaldo Janssen foi um homem guiado por princípios religiosos profundos; um homem totalmente unido a Deus, inteiramente entregue à vontade divina.

Bem podemos afirmar que foi um santo, tal como o confirmou a Igreja através da sua beatificação. E acertado é o título do vídeo do P. João Rzitka, SVD sobre a ação do Fundador de Steyl: Um homem de fé, um homem de risco (que arriscou). Do mesmo modo, o título da breve biografia escrita por Udo Haltermann: Um homem de fé empreende o seu caminho. Só um profundo enraizamento na fé tornou possível a acção de Arnaldo Janssen e a sua santificação.