Na manhã de dia 7 de janeiro o Papa Francisco discursou ao Corpo Diplomático acreditado junto da Santa Sé. Teceu algumas considerações analisando os acontecimentos atuais da vida política internacional deixando claro “o propósito de se colocar ao serviço do bem de todo o ser humano”.

“A Santa Sé não pretende imiscuir-se na vida dos Estados, mas aspira a ser uma ouvinte solícita e sensível das problemáticas que dizem respeito à humanidade, com o propósito sincero e humilde de se colocar ao serviço do bem de todo o ser humano” – afirmou o Papa.

Recordemos que o Santo Padre já na sua Mensagem Urbi et Orbi na manhã de Natal tinha deixado aos países do mundo a proposta da vivência do valor da fraternidade. “Que este Natal nos faça redescobrir os laços de fraternidade que nos unem como seres humanos, interligando todos os povos” – disse Francisco.

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Na ocasião o Papa formulou vários pedidos: diálogo para o caminho de israelitas e palestinianos, uma solução política para a Síria, alívio para o Iémen, assistência humanitária para a África, aproximação entre as Coreias, concórdia para a Venezuela, paz duradoura para a Ucrânia, reconciliação para a Nicarágua, liberdade religiosa para os cristãos que vivem em minoria e proteção para as crianças e todas as pessoas frágeis, indefesas e descartadas.

Das considerações do Papa podemos, desde logo, destacar o apelo às relações construtivas entre os Estados pedindo que estejam atentos ao “ressurgimento de tendências nacionalistas”:

“Não esmoreça a vontade dum confronto sereno e construtivo entre os Estados, pois é evidente que as relações dentro da comunidade internacional e o próprio sistema multilateral no seu conjunto estão atravessando momentos difíceis, com o ressurgimento de tendências nacionalistas, que minam a vocação das organizações internacionais de serem espaço de diálogo e encontro para todos os países” – declarou o Papa.

O Papa referiu ainda que o reaparecimento de “tendências populistas e nacionalistas” está a “enfraquecer progressivamente o sistema multilateral” que está trazer como resultado “uma crise de credibilidade da política internacional e uma progressiva marginalização dos membros mais vulneráveis da família das nações” – disse o Santo Padre.

Francisco reconheceu no seu discurso a importância da globalização assinalando, contudo, que “é preciso prestar atenção à dimensão global sem perder de vista o que é local”.

Citando o Papa S. Paulo VI, Francisco sublinhou o primado da justiça e do direito nas relações internacionais e recordou a sua Mensagem para o 52º Dia Mundial da Paz na qual afirma que “a boa política está ao serviço da paz”. E declarou que “a política deve ser clarividente, não se limitando a procurar soluções de curto prazo. O bom político não deve ocupar espaços, mas iniciar processos; é chamado a fazer prevalecer a unidade sobre o conflito”.

Destaque especial no discurso do Papa Francisco para a defesa dos mais fracos, tendo referido alguns conflitos internacionais lançando um apelo particular para o grave problema dos migrantes:

“Mais uma vez desejo chamar a atenção dos governos para todos aqueles que tiveram de emigrar por causa do flagelo da pobreza, de todo o género de violência e perseguição, bem como das catástrofes naturais e das perturbações climáticas, pedindo que se facilitem as medidas que permitam a sua integração social nos países de acolhimento” – apelou Francisco.

O Papa falou também sobre os jovens e recordou o recente Sínodo dos Bispos e as Jornadas Mundiais da Juventude deste mês de janeiro tendo afirmado que “é absolutamente necessário investir em iniciativas que permitam às próximas gerações construir um futuro, tendo a possibilidade de encontrar trabalho, formar uma família e criar filhos”.

Francisco falou ainda sobre as crianças e lembrou os abusos contra os menores como sendo crimes “vis e nefastos” que “apagam inexoravelmente o melhor do que a vida humana reserva a um inocente, causando danos irreparáveis para o resto da existência” – disse o Papa.

Francisco assinalou, a este propósito, o encontro que terá no Vaticano com os “episcopados de todo o mundo” no próximo mês de fevereiro que “pretende ser mais um passo no caminho da Igreja para esclarecer plenamente os factos e sarar as feridas causadas por tais delitos” – frisou o Santo Padre.

Referência no discurso do Papa Francisco para o drama da violência contra as mulheres:

“Perante o flagelo dos abusos físicos e psicológicos contra as mulheres, é urgente descobrir formas de relações justas e equilibradas, baseadas no respeito e reconhecimento mútuos, nas quais cada um possa expressar de maneira autêntica a sua identidade” – declarou o Papa.

Neste discurso do Papa de análise da conjuntura internacional destaque ainda para as preocupações de Francisco com o mundo do trabalho e as novas formas de escravidão, os problemas da guerra e da paz e a procura de novos armamentos e ainda a defesa do meio-ambiente. Um discurso de Francisco em nome da paz entre os povos.