Conhecemos as dificuldades em que o nosso mundo se debate. O tecido das relações familiares e sociais parece se desgastar cada vez mais e se difunde a tendência do fechar-se em si mesmo e nos próprios interesses individuais, com graves consequências sobre a “grande e decisiva questão da unidade da família humana e seu futuro”. (Papa  Francisco, Carta Humana Communitas).

A missa em homenagem a São José Operário, realizada no Dia do Trabalhador, 1º de maio, pela Paróquia do Verbo Divino da Arquidiocese de Belo Horizonte,  foi celebrada na região do Nacional, em Contagem, e reuniu mais de 900 fiéis, contando inclusive com a presença de um pastor evangélico. Antes da celebração, houve um momento voltado para esclarecer dúvidas sobre a Reforma da Previdência.

De acordo com o jovem Jefferson, da Paróquia Santa Clara da Piedade, que participou da Missa do Trabalhador pela primeira vez, a  “celebração foi muito bonita”. Como outras pessoas presentes, Jefferson observou o capricho, o carinho e a dedicação da equipe organizadora da missa. Ainda segundo ele, “a ornamentação estava muito bonita, o ambiente da celebração era um  espaço bem organizado, com cadeiras. Local arejado e acolhedor. As leituras foram bem feitas e os cantos bem cantados e, principalmente, a participação das pessoas foi muito acolhedora. Elas participaram bem da celebração, todos cantando, todos louvando e todos prestando atenção nas leituras e no evangelho.”

A celebração foi presidida pelos padres Alwin, Sérgio e Frei Adilson, vigário episcopal da Região Nossa Senhora da Esperança, Região Metropolitana de Belo Horizonte. Durante sua homilia, Frei Adilson enalteceu a luta da classe trabalhadora pela manutenção de suas conquistas e contra a retirada de seus direitos. Trouxe à memória a figura de Pio XII que, diante de milhares de trabalhadores italianos, reunidos na Praça de São Pedro, proclamou o dia 1º de maio de 1955 como o Dia do Trabalhador, dia de São José Operário, para  “lembrar a todos nós, que a dignidade do trabalho é um dom.” Essa homenagem a São José, carpinteiro, trabalhador, e pai de Jesus, “remonta ao dia 1º de maio de 1886, quando foi iniciada uma greve estadunidense em Chicago, com o intuito de conquistar melhores condições de trabalho”, como aponta a reportagem no site do Vatican News. Hoje, nesse mesmo dia, em Roma,  o Papa Francisco pediu que

o humilde trabalhador de Nazaré nos oriente em direção a Cristo, sustente o sacrifício daqueles que praticam o bem neste mundo e interceda por aqueles que perderam o próprio emprego ou não conseguem encontrá-lo, uma tragédia mundial nesses tempos.

Para a senhora Ana Maria, da Comunidade Santíssima Trindade, a “missa foi muito linda. A homilia de Frei Adilson foi muito edificante e esclarecedora. Compreendi tudo.”

Na opinião do jovem Jefferson,  “a homilia bem motivadora, por parte do vigário episcopal Frei Adilson, nos faz seguir em frente e lutar pelos nossos direitos, que estão sendo retirados”.  Ele diz ainda que “a bênção das carteiras de trabalho foi um momento bacana e legal”. Esse momento também  remete à luta cotidiana de nosso povo em busca de  trabalho digno e da  sobrevivência dos trabalhadores e suas famílias, como participantes ativos do “tecido das relações familiares e sociais”, como aponta o Papa Francisco.

Várias pessoas que participaram da missa tiveram a oportunidade tirar dúvidas sobre a aposentadoria com Marta de Freitas, professora universitária e especialista em Previdência Social. Além disso, foi disponibilizado um aplicativo criado pelo DIEESE que calcula as condições de aposentadoria de acordo com as leis atuais e depois da reforma da previdência que está sendo discutida no Congresso Nacional. Muitas trabalhadoras e muitos trabalhadores puderam verificar que essa reforma não atende aos interesses do povo brasileiro.

“Além de ser um momento de refletir sobre o mundo do trabalho, acabei descobrindo que ainda faltam 15 anos para eu aposentar. Adorei a missa. Tomara que nos próximos anos ela seja celebrada aqui”, disse outra fiel, que estava presente.

Na Arquidiocese de Belo Horizonte, “a missa do dia 1º de maio iniciou há 43 anos a partir da luta dos trabalhadores e dos movimentos sociais contra a exploração da mão de obra e tradicionalmente é celebrada na praça da Cemig, na Cidade Industrial. Descentralizar a missa, como essa celebrada na Região do Nacional, cria a oportunidade de várias pessoas participarem e se atualizarem sobre nossos direitos”, ressaltou um participante.

“As informações sobre a Previdência Social foram muito esclarecedoras. A celebração foi linda” – foi a opinião de outro fiel presente à celebração.

Na missa do Dia do Trabalhador, em sintonia com as diretrizes da CNBB e outras orientações da Arquidiocese de Belo Horizonte, os católicos do grupo Fé e Política, que apoiam os movimentos sociais, trouxeram para nossa reflexão a situação do trabalho nos níveis nacional e mundial, procurando articular a fé com a vida concreta, buscando uma espiritualidade encarnada no povo e para o povo. Nesse sentido, a CNBB aponta na Mensagem ao Povo Brasileiro:

A crise ética, política, econômica e cultural tem se aprofundado cada vez mais no Brasil. A opção por um liberalismo exacerbado e perverso, que desidrata o Estado quase ao ponto de eliminá-lo, ignorando as políticas sociais de vital importância para a maioria da população, favorece o aumento das desigualdades e a concentração de renda em níveis intoleráveis, tornando os ricos mais ricos à custa dos pobres cada vez mais pobres, conforme já lembrava o Papa João Paulo II na Conferência de Puebla (1979). Nesse contexto e inspirados na Campanha da Fraternidade deste ano, urge reafirmar a necessidade de políticas públicas que assegurem a participação, a cidadania e o bem comum. Cuidado especial merece a educação, gravemente ameaçada com corte de verbas, retirada de disciplinas necessárias à formação humana e desconsideração da importância das pesquisas.(Mensagem dos Bispos Brasileiros por ocasião da 57 Assembleia Geral da CNBB).

A Paróquia Verbo Divino e o grupo Fé e Política agradecem a presença das centenas de católicos nessa celebração do trabalho, dos direitos, da vida e da esperança.

Agradecem também o empenho da equipe organizadora, do Frei Adilson e da professora Marta que proporcionaram um momento reflexivo e histórico na região do Nacional.

Rogamos ao Deus da Vida por todos os fiéis participantes desse dia. Que possamos juntos, celebrar outros primeiros de maio, fazendo ressoar o profetismo de nosso batismo e proclamando, como Isaías, que “a paz é fruto da justiça!”

FONTE: GRUPO FÉ E POLÍTICA  DA PARÓQUIA VERBO DIVINO – FORANIA SÃO SEBASTIÃO – RENSE