Publicado em Opinião e Notícias.

Jesus, depois de batizado, inicia sua missão. Sai em busca de seus seguidores, oferece-lhes uma boa formação e os convidam para caminharem juntos, tornando-os seguidores e testemunhas oculares de seu agir. Esta é também a missão que recebemos com o nosso batismo. Vamos recebendo formação até chegar à maturidade quando então, estaremos prontos para formar seguidores do Cristo através de seus ensinamentos.

Jesus Cristo é nossa razão de ser, motivo de nosso pensar e sentir. Nele, com Ele e a partir dele construímos nossa vida pessoal e comunitária. Iniciados na fé, somos chamados a nos colocar em seu seguimento. Quem se coloca no seu caminho e se dispõe a ouvi-lo consegue dar passos junto com a comunidade, caminhar atentos à fidelidade ao Mestre e ter as mesmas atitudes evangelizadoras de Jesus: acolhida aos marginalizados (mulheres, crianças, doentes), os colaboradores (publicanos e soldados), os fracos (o povo da terra, os pobres sem poder), os hereges (samaritanos e pagãos), os impuros (leprosos e possessos) e os imorais (prostitutas e pecadores). Era assim que Jesus evangelizava: acolhendo a todos e falando para todos.

Jesus não excluía ninguém. Ele rompeu com esse modo de pensar para demonstrar o grande amor do Pai para com todos na comunidade, até mesmo com todos os tipos de impuros que faziam parte da comunidade. Ele agia com misericórdia. Convidava as pessoas para as reflexões inspiradas nas coisas ou fatos do dia-a-dia. Dessa forma permitia que sua mensagem chegasse a todos. Jesus foi um educador. Um grande catequista.

Essa forma de agir acontece quando as pessoas se abrem para a vida do irmão, refletem juntos sobre como descobrir o caminho que leva a Jesus. Olha para a realidade de cada um, analisa fatos e ou situações concretas e procura dialogar numa linguagem adequada para que todos possam compreender os ensinamentos de Jesus, desejar ir ao seu encontro e poder participar de sua vida. Uma vida de mistérios.

Olhando para Jesus, como evangelizar hoje?

A Igreja atual nos convoca para uma reflexão sobre a iniciação à vida cristã, uma catequese que leve o catequizando a um encontro com Jesus Cristo, na comunidade cristã, ajudando-o a descobrir caminhos que se aproximam cada vez mais do mistério da vida do Cristo.

A iniciação à vida cristã é um desafio que precisa ser encarado com decisão, com coragem e criatividade, visto que em muitas partes a iniciação cristã tem sido pobre e fragmentada. O documento de Aparecida já nos alerta: “ou educamos na fé, colocando as pessoas realmente em contato com Jesus Cristo e convidando-as para seu seguimento, ou não cumpriremos nossa missão evangelizadora” (DAp, 287).
Nesse sentido não podemos descuidar dos Evangelhos, fazendo deles nossos livros de cabeceira, ou nos limitamos ao que nos ensinam os catecismos, isto é, a cumprir certos ritos e a ouvir algumas homilias acerca de Deus.

Somos desafiados a retornar à vida de Jesus, de ler os Evangelhos outra vez e de reencontrar-nos com o Reino de Deus para celebrarmos na vida o banquete celeste. Mas para que isto aconteça precisamos recuperar o sentido religioso da práxis histórica de Jesus de Nazaré, inspirada na centralidade do Reino de Deus. É mediante a práxis que podemos encontrar caminhos de salvação.

Estamos falando de como levar as pessoas a um contato vivo e pessoal com Jesus Cristo, como fazê-las mergulhar nas riquezas do Evangelho, como iniciá-las verdadeira e eficazmente na vida da comunidade cristã e fazê-las participar da vida divina, cuja expressão maior é os Sacramentos da Iniciação Cristã.
A Iniciação à vida cristã, pensada como processo consciente de evangelização, forma verdadeiros discípulos missionários de Jesus. A comunidade inteira vai se transformar e ser sinal do Reino, dará testemunho de si mesmo; traduz a experiência do encontro com Deus; que se transforma em uma comunidade iniciadora na fé mistagógica.

A Iniciação à vida Cristã é lugar privilegiado de animação bíblica da vida e da pastoral. Todos os processos de iniciação se fundamentam na Sagrada Escritura e na Liturgia, educam para a escuta da Palavra e para a oração pessoal, mediante a Leitura Orante, evidenciando uma estreita relação entre Bíblia, Catequese e Liturgia.
O Evangelho da vida está no centro da mensagem de Jesus.

Neuza Silveira de Souza
Secretariado Arquidiocesano Bíblico-catequético de Belo Horizonte