Leitores

A formação de leitores é vital. Convidar novas pessoas da comunidade é importante, mas não sem antes pedir que a pessoa leia um trecho da leitura. É bom levá-la ao ambão, antes da celebração, para saber o melhor posicionamento do microfone. É comum e agonizante ouvir leitores que não impõem a voz ao falar ao microfone; parecem estar em confidência com um amigo. Uma boa leitura pede preparação e impostação da voz e conhecimento de microfone: não falar nem perto nem longe e ter o bom senso de se aproximar ou se afastar conforme a necessidade.

Muitas vezes, pessoas extremamente gentis e generosas presentes nas várias pastorais não estão aptas para a leitura. Sua dificuldade de fala se torna dificuldade de todos. Cabe ao sacerdote, com amorosidade e coragem, fazer essa formação e acompanhar aqueles que fazem leitura, juntamente com a equipe de liturgia. 

Música e liturgia

A música na igreja vive um momento de dificuldade. A busca pelo equilíbrio musical, entre volume e harmonia, é um desafio para a comunidade. O pároco, no papel de administrador de relacionamentos, inúmeras vezes se sentirá entre a cruz e a espada. Onde não existem grupos, a questão é mais séria e motiva a busca de músicos voluntários ou profissionais – estes, em teoria, mais facilmente administrados pelo pároco, que, por outro lado, deverá despender recursos para mantê-los.

A música na liturgia é um ponto muito importante da comunicação nas paróquias e precisa ser muito bem cuidada, atentando para a escolha das letras e músicas adequadas ao tempo e ao dia litúrgico, para a qualidade da sonorização, para a preocupação de não escolher apenas cantos que ninguém saiba cantar ou apenas cantos antigos demais, para o conteúdo e espiritualidade transmitidos pela música, para a preparação das equipes.

A falta de preparação nessa área deixa algumas pessoas vulneráveis ao crescimento do ego. Nosso ego é aquela “pessoinha” que habita em nós e muitas vezes é despertada quando há um instrumento musical em mãos. Basta um cantinho na igreja que substitua o palco dos sonhos imaginários.

Nas faculdades de música, existe uma disciplina que se chama Dinâmica Musical, na qual se ensina ao grupo que tocar bem não é tocar alto; cantar bem não é cantar gritado e acima do limite permitido. Nossos ouvidos possuem um limite para a captação do som. O volume é medido em decibéis, e, de acordo com a legislação brasileira, o volume máximo ao qual uma pessoa pode ser exposta em nível aceitável é de aproximadamente 80 decibéis. É notório que cerca de 20% da população brasileira ouve um pequeno zumbido em um ou nos dois ouvidos. A ciência prova que o zumbido é um dos principais sintomas do início do processo de perda de audição, e cerca de 30% das perdas de audição são creditadas à exposição a sons intensos, acima dos limites estabelecidos pela medicina.

Outro desafio é a qualidade do sistema de sonorização na igreja, que seja também adequado aos músicos e forneça equilíbrio entre palavra e música, como já mencionado anteriormente. Uma solução é situar o sistema para a música separadamente, mas fazendo parte do sistema central. É necessário preparar algumas pessoas, no máximo três, para cuidar do som na ausência de um profissional; que saibam, por exemplo, que uma irritante microfonia pode ser dissipada com a diminuição de volume. Pessoas não preparadas para gerir o som podem causar muitos problemas, entre os quais a escolha de equipamentos inadequados ou que virão a ter custos maiores do que algo bem planejado.

Enfim, comunicar Jesus hoje envolve toda forma de comunicação antropológica e tecnológica, sofisticada ou simples, nos areópagos do mundo e das paróquias.

Publicado originalmente em VIDA PASTORAL – PAULUS