Publicado no Opinião e Notícias da Arquidiocese de BH

O projeto de vida cristã educa-se e enraíza-se na adesão e no seguimento de Jesus, na vivência celebrativa de seu evento salvífico, na ética de um amor novo e na pertença à comunidade dos filhos e irmãos solidários. Seguir Jesus e estar no Reino supõe assumir nossa condição de filhos e irmãos, servos do projeto do Pai. O seguimento nos leva a assumir a pobreza evangélica como bem aventurança, a oração como tarefa permanente, o serviço como distintivo. Educar, pois, ao compromisso requer percorrer os caminhos do Reino. A Palavra nos dá a direção. Podemos percorrer caminhos a exemplos de: a purificação de Damasco, a solidariedade de Jericó, a experiência de Emaús, a experiência do encontro da Samaritana com Jesus, etc. A partir desses caminhos vai se construindo, na realidade concreta, um projeto de vida.

Essa construção tem como base a catequese evangelizadora. As palavras catequese, catequizando, catecúmeno, catecumenato, etimologicamente provêm do mesmo verbo grego ‘catequein’. Catequizar é fazer ecoar a Palavra de Deus. Assim, catequese e catecumenato são palavras que se comunicam mutuamente. O problema de nomes tem sua importância, mas é secundário.

Quando se fala de itinerário da Iniciação à vida Cristã, está se falando dos caminhos que se vai construindo para o amadurecimento da fé. Assim, para o adulto não batizado, a Igreja redescobriu a importância do catecumenato e dos elementos de iniciação. Como tempo para os adultos convertidos, candidatos ao batismo, tem-se a proposta do catecumenato. A palavra ‘catecumenato’ é para indicar a catequese e iniciação litúrgica dos adultos convertidos que desejam o batismo, pois o seu restabelecimento ao nosso tempo, além de corresponder a exigências pastorais de várias regiões e setores missionários, levará a uma renovação da teologia e da pastoral dos sacramentos. Essa renovação é uma volta ás fontes, à pedagogia da Igreja missionária da época patrística, de que está mais próxima à Igreja do mundo conturbado de nossos dias.

Para o adulto já batizado, mas que se encontra contextualizados num mundo em mudanças rápidas, profundas, universais e permanentes, eles se apresentam como grande desafio para a ação evangelizadora da Igreja e para a ação catequética. Muitas dessas pessoas têm dificuldades de conviver com outros, de estabelecer relações duradouras e sadias. Sentem-se fragmentadas, divididas, cheias de dúvidas, incertezas, medos. O mundo globalizado diante de tantas diversidades, o individualismo e o subjetivismo egoísta roubam o que há de melhor nas pessoas. Hoje não se tem tempo para as relações pessoais e interpessoais. Ninguém tem tempo para cuidar do outro, e nem quer; cuidar da natureza e, principalmente não quer cuidar do bem comum, daquilo que é de todos.

A catequese em busca da fé madura, precisa levar em conta diversos aspectos da realidade contextualizada e, ao mesmo tempo, aspectos referenciais no âmbito da compreensão da pessoa humana, catequizandas, que se abrem a um novo jeito de estar no mundo. Pessoas que desejam falar, interagir, expressar, melhorarem, colocar numa relação intersubjetiva, social, de fraternidade e solidariedade.

Hoje, as pessoas desejam articular e mobilizar pessoas. Muitos grupos se formam e manifestam suas insatisfações com tudo que desvaloriza a vida humana, a vida social, a vida da natureza, a vida do cosmos.

Quando se procura olhar ao redor, às periferias existenciais, como diz o Papa Francisco, quando se reconhece que o mundo que habitamos é plural, cercado de situações, pessoas, culturas, histórias, religiões e igrejas diferentes, percebe-se a necessidade de construção do Itinerário que vem contribuir para driblar as realidades presentes e se colocar num caminho sólido, na construção do projeto de vida.

Viver esse projeto, com compromisso e responsabilidade, é colocar-se no seguimento do Cristo e dar resposta ao mandamento novo que ele nos propõe: Amai-vos uns aos outros como eu vos amei (Jo 15,12). A forma de amar Jesus e as necessidades e situações dos seres humanos são as coordenadas para a recuperação da natureza e da amplitude do amor cristão.

A adesão que se faz à pessoa de Jesus Cristo tem muito a ver com as aspirações mais profundas do ser humano. Do fundo do coração brota a conversão, mas a adesão afetiva que se faz à pessoa de Jesus Cristo desencadeará muitos outros compromissos: o interesse pelo evangelho, a preferência comunitária, o compromisso sócio político, a celebração da fé e o viver segundo a espiritualidade cristã. Nesse sentido, a catequese é ação evangelizadora, básica e fundamental na construção, tanto do discípulo, como da comunidade. É a catequese que dá o impulso para a ação missionária contínua e fecunda. E tudo isso percorrendo o itinerário proposto, caminhando junto e construindo caminhos possíveis para todos.

 

 

 

Neuza Silveira de Souza, coordenadora do Secretariado 
Arquidiocesano Bíblico-Catequético de Belo Horizonte