Preparação dos Dons

  1. Ao iniciar a liturgia eucarística, levam-se para o altar os dons, que se vão converter no Corpo e Sangue de Cristo.

Em primeiro lugar prepara-se o altar ou mesa do Senhor, que é o centro de toda a liturgia eucarística; nele se dispõem o corporal, o purificador (ou sanguinho), o Missal e o cálice, salvo se este for preparado na credência.

Em seguida são trazidas as oferendas. É de louvar que o pão e o vinho sejam apresentados pelos fiéis. Recebidos pelo sacerdote ou pelo diácono em lugar conveniente, são depois levados para o altar. Embora, hoje em dia, os fiéis já não tragam do seu próprio pão e vinho, como se fazia noutros tempos, no entanto o rito desta apresentação conserva ainda valor e significado espiritual.

Além do pão e do vinho, são permitidas ofertas em dinheiro e outros dons, destinados aos pobres ou à Igreja, e tanto podem ser trazidos pelos fiéis como recolhidos dentro da Igreja. Estes dons serão dispostos em lugar conveniente, fora da mesa eucarística.

  1. A procissão em que se levam os dons é acompanhada do cântico do ofertório (cf. n. 37, b), que se prolonga pelo menos até que os dons tenham sido depostos sobre o altar. As normas para a execução deste cântico são idênticas às que foram dadas para o cântico de entrada (cf. n. 48). O rito do ofertório pode ser sempre acompanhado de canto.
  2. O pão e o vinho são depostos sobre o altar pelo sacerdote, acompanhados das fórmulas prescritas. O sacerdote pode incensar os dons colocados sobre o altar, depois a cruz e o próprio altar. Deste modo se pretende significar que a oblação e oração da Igreja se elevam, como fumo de incenso, à presença de Deus. Depois o sacerdote, por causa do sagrado ministério, e o povo, em razão da dignidade batismal, podem ser incensados pelo diácono ou por outro ministro.
  3. A seguir, o sacerdote lava as mãos, ao lado do altar: com este rito se exprime o desejo de uma purificação interior.

 

 


CNBB, Estudo 79, n. 319

O canto de apresentação das oferendas

Função

Este canto, que acompanha o gesto de colocar os bens em comum, para as necessidades da comunidade (Rm 12,1-2; Ef 4,28), juntamente com o pão e o vinho que serão consagrados e partilhados na Ceia do Senhor, serve de introdução à Liturgia Eucarística, à refeição memorial do Senhor. Não é sempre necessário nem desejável, principalmente quando não há uma procissão mais solene dos dons, embora seja muito apreciado pela nossa prática litúrgica pós-conciliar.

Forma

_ Conforme mostram as Antífonas, previstas no “Graduale Romanum”, porém não incluídas no “Missal Romano”, o texto deste canto não precisa falar, necessariamente, de pão e de vinho nem de ofertório ou oblação, mas pode expressar o louvor e a referência ao tempo litúrgico.

_ Na tradição do Canto Litúrgico no Brasil, desde a introdução do vernáculo, o “Canto de Apresentação das Oferendas” chegou a tornar-se um momento em que o povo deseja expressar sua disposição de querer oferecer sua vida, sua luta e trabalho ao Senhor, o que parece ter um alto valor existencial e espiritual;

_ Na Introdução do Missal se diz: Este canto é executado alternadamente pela Escola dos Cantores e pelo povo, ou pelo cantor e o povo, ou só pelo povo ou só pela escola.

_ Neste momento, uma música instrumental ou então um canto polifônico do coral seriam, também, adequados, funcionando assim como uma espécie de interlúdio entre a Liturgia da Palavra e a Liturgia Eucarística.

_ A forma mais adequada e completa deste rito seria praticada se os seus três momentos fossem observados:

  1. procissão das oferendas e/ou
  2. a simples preparação da mesa trazendo pão e vinho, ambos acompanhados de um canto ou solo instrumental;
  3. apresentação dos dons, acompanhado do canto de quem preside: “Bendito sejais, Senhor Deus do Universo…”, seguido da aclamação da assembléia: “Bendito seja Deus para sempre!”.

 

Oração Eucarística

  1. Inicia-se então o momento central e culminante de toda a celebração, a Oração eucarística, que é uma oração de ação de graças e de consagração. O sacerdote convida o povo a elevar os corações para o Senhor, na oração e na ação de graças, e associa-o a si na oração que ele, em nome de toda a comunidade, dirige a Deus Pai por Jesus Cristo no Espírito Santo. O sentido desta oração é que toda a assembleia dos fiéis se una a Cristo na proclamação das maravilhas de Deus e na oblação do sacrifício.
  2. Como elementos principais da Oração eucarística podem enumerar-se os seguintes:
  3. Ação de graças (expressa de modo particular no Prefácio): em nome de todo o povo santo, o sacerdote glorifica a Deus Pai e dá-Lhe graças por toda a obra da salvação ou por algum dos seus aspectos particulares, conforme o dia, a festa ou o tempo litúrgico.
  4. Aclamação: toda a assembleia, em união com os coros celestes, canta o Sanctus (Santo). Esta aclamação, que faz parte da Oração eucarística, é proferida por todo o povo juntamente com o sacerdote.
  5. Epíclese: consta de invocações especiais, pelas quais a Igreja implora o poder do Espírito Santo, para que os dons oferecidos pelos homens sejam consagrados, isto é, se convertam no Corpo e Sangue de Cristo; e para que a hóstia imaculada, que vai ser recebida na Comunhão, opere a salvação daqueles que dela vão participar.
  6. Narração da instituição e consagração: mediante as palavras e gestos de Cristo, realiza-se o sacrifício que o próprio Cristo instituiu na última Ceia, quando ofereceu o seu Corpo e Sangue sob as espécies do pão e do vinho e os deu a comer e a beber aos Apóstolos, ao mesmo tempo que lhes confiou o mandato de perpetuar este mistério.
  7. Anamnese: em obediência a este mandato, recebido de Cristo Senhor através dos Apóstolos, a Igreja celebra a memória do mesmo Cristo, recordando de modo particular a sua bem-aventurada paixão, gloriosa ressurreição e ascensão aos Céus.
  8. Oblação: neste memorial, a Igreja, de modo especial aquela que nesse momento e nesse lugar está reunida, oferece a Deus Pai, no Espírito Santo, a hóstia imaculada. A Igreja deseja que os fiéis não somente ofereçam a hóstia imaculada, mas aprendam a oferecer-se também a si mesmos e, por Cristo mediador, se esforcem por realizar de dia para dia a unidade perfeita com Deus e entre si, até que finalmente Deus seja tudo em todos.
  9. Intercessões: por elas se exprime que a Eucaristia é celebrada em comunhão com toda a Igreja, tanto do Céu como da terra, e que a oblação é feita em proveito dela e de todos os seus membros, vivos e defuntos, chamados todos a tomar parte na redenção e salvação adquirida pelo Corpo e Sangue de Cristo.
  10. Doxologia final: exprime a glorificação de Deus e é ratificada e concluída pela aclamação: “Amém!” do povo.

 

Fração do pão

  1. O sacerdote parte o pão eucarístico. O gesto da fração, praticado por Cristo na última Ceia, e que serviu para designar, nos tempos apostólicos, toda a ação eucarística, significa que os fiéis, apesar de muitos, se tornam um só Corpo, pela Comunhão do mesmo pão da vida que é Cristo, morto e ressuscitado pela salvação do mundo (1 Cor 10, 17). A fração começa depois de se dar a paz e realiza-se com a devida reverência, mas não se deve prolongar desnecessariamente nem se lhe deve atribuir uma importância excessiva. Este rito é reservado ao sacerdote e ao diácono.

Enquanto o sacerdote parte o pão e deita uma parte da hóstia no cálice, a schola ou um cantor canta ou pelo menos recita em voz alta a invocação Cordeiro de Deus, a que todo o povo responde. A invocação acompanha a fracção do pão, pelo que pode repetir-se o número de vezes que for preciso, enquanto durar o rito. Na última vez conclui-se com as palavras: “Dai-nos a paz”.

 

Canto de Comunhão

84.O sacerdote prepara-se por uma oração em silêncio para receber frutuosamente o Corpo e Sangue de Cristo. Os fiéis fazem o mesmo, rezando em silêncio.A seguir, o sacerdote mostra aos fiéis o pão eucarístico sobre a patena ou sobre o cálice e convida-os ao banquete de Cristo; e, unindo-se aos fiéis, faz um ato de humildade, usando as palavras prescritas do Evangelho.

85.É muito recomendável que os fiéis, como também o próprio sacerdote deve fazer, recebam o Corpo do Senhor em hóstias consagradas na mesma Missa e participem do cálice nos casos previstos (cf. n. 283), para que, também através dos sinais, a Comunhão se manifeste mais claramente como participação no sacrifício celebrado atualmente.

86.Enquanto o sacerdote recebe o Sacramento, entoa-se o canto da comunhão que exprime, pela unidade das vozes, a união espiritual dos comungantes, demonstra a alegria dos corações e realça mais a índole “comunitária” da procissão para receber a Eucaristia. O canto prolonga-se enquanto se ministra a Comunhão aos fiéis. Havendo, porém, um hino após a Comunhão, encerre-se em tempo o canto da Comunhão.Haja o cuidado para que também os cantores possam comungar com facilidade.

87.Para o canto da comunhão pode-se tomar a antífona do Gradual romano, com ou sem o salmo, a antífona com o salmo do Gradual Simples ou outro canto adequado, aprovado pela Conferência dos Bispos. O canto é executado só pelo grupo dos cantores ou pelo grupo dos cantores ou cantor com o povo.Não havendo canto, a antífona proposta no Missal pode ser recitada pelos fiéis, por alguns dentre eles ou pelo leitor, ou então pelo próprio sacerdote, depois de ter comungado, antes de distribuir a Comunhão aos fiéis.

88.Terminada a distribuição da Comunhão, ser for oportuno, o sacerdote e os fiéis oram por algum tempo em silêncio. Se desejar, toda a assembleia pode entoar ainda um salmo ou outro canto de louvor ou hino.

89.Para completar a oração do povo de Deus e encerrar todo o rito da Comunhão, o sacerdote profere a oração depois da Comunhão, em que implora os frutos do mistério celebrado.Na Missa se diz uma só oração depois da Comunhão, que termina com a conclusão mais breve, ou seja: se for dirigida ao Pai: Por Cristo, nosso Senhor; se for dirigida ao Pai, mas no fim se fizer menção do Filho: Que vive e reina para sempre; se for dirigida ao Filho: Que viveis e reinais para sempre. O povo pela aclamação Amém faz sua a oração.

 

 


CNBB, Estudo n.79:

Função: o Canto de Comunhão visa, muito especialmente, a fomentar o sentido de unidade. É canto que expressa o gozo pela unidade do Corpo de Cristo e pela realização do Mistério que está sendo celebrado. Por isso, a maior parte dos hinos eucarísticos utilizados tradicionalmente na Adoração ao Santíssimo Sacramento não é adequada para este momento, pois ressaltam apenas a fé na Presença Real, carecendo das demais dimensões essenciais do Mistério da Fé.

O texto não se reduza a expressão excessivamente subjetiva, individualista, intimista e sentimentalista da comunhão. Que ele projete a assembleia como um todo, e cada uma das pessoas que participam, para a constituição do Corpo Místico de Cristo. Em certas oportunidades, favoreça mais ao recolhimento, a fim de evitar um comungar puramente rotineiro e inconsciente. Em outras, sobretudo por ocasião de festas maiores, faça desabrochar a alegria e a exultação, como se diz da experiência eucarística das primeiras Comunidades Cristãs (cf. At 2,46). O fato de a Antífona da Comunhão, em geral, retomar um texto do Evangelho do dia, revela a profunda unidade entre a Liturgia da Palavra e a Liturgia Eucarística e evidencia que a participação na Ceia do Senhor, mediante a Comunhão, implica um compromisso de realizar, no dia-a-dia da vida, aquela mesma entrega do Corpo e do Sangue de Cristo, oferecidos uma vez por todas (Hb 7,27). Forma:

a)_A forma que a tradição litúrgica oferece para o Canto de Comunhão, a de um refrão tirado do texto do Evangelho do dia alternado por versos de um salmo apropriado, foi mantida no 3º fascículo do Hinário Litúrgico da CNBB, nos cantos de Comunhão dos Anos A, B e C.

b)_Esta forma dialogal ajuda os fiéis a receber o Sacramento do Corpo e Sangue de Cristo livres da necessidade de carregar livros ou folhas.

Também durante a comunhão, a forma de um tropo, não prolongado demais, com um refrão poderia ser funcional. c)_O texto do tropo seria, de preferência, uma citação do Evangelho do dia, atualizando-o no Mistério eucarístico. Não é necessário que esse canto se prolongue, ininterruptamente, durante todo o ato de repartir o Pão do Céu. Em certas oportunidades seria até vantagem interromper os versos por interlúdios instrumentais, tornando o canto menos maçante e favorecendo a interiorização.

d)_Em algumas oportunidades, é importante que ele faça transbordar a alegria da

Festa, sendo um canto exultante, desfecho vibrante de toda a celebração, cantado

com a espontaneidade do sorriso e do aplauso, sem que isso em nada desmereça, pelo contrário, exalte, a presença maior do Senhor, com quem a Assembleia entra em plena comunhão.

e)_Outra possibilidade é selecionar refrãos bem conhecidos da assembleia, sobretudo em celebrações de massa, e cantá-los um após outro, com interlúdios instrumentais.

(Estudo 79 da CNBB, n. 314-316)


 

Espiritualmente alimentada nessas duas mesas [Palavra e Eucaristia], a Igreja, em uma, instrui-se mais, e na outra santifica-se mais plenamente; pois na Palavra de Deus se anuncia a aliança divina, e na Eucaristia se renova esta mesma aliança nova e eterna. Numa, recorda-se a história da salvação com palavras; na outra a mesma história se expressa por meio de sinais sacramentais da Liturgia. Portanto, convém recordar sempre que a Palavra divina que a Igreja lê e anuncia na Liturgia conduz, como a seu próprio fim, ao sacrifício da aliança e ao banquete da graça, isto é, à Eucaristia. Assim, a celebração da missa, na qual se escuta a Palavra e se oferece e se recebe a Eucaristia, constitui um só ato de culto divino com o qual se oferece a Deus o sacrifício de louvor e se realiza plenamente a redenção do homem. (Introdução ao Lecionário, n. 10)

 

Gelineau:

“Exprimir a união espiritual entre os comungantes pela unidade das vozes”: o único simbolismo da fusão das vozes, como sinal de união dos que cantam, assume, no momento da “comunhão” sacramental, um significado particularmente eloquente.

“Mostrar a alegria do coração”: a alegria do festim das bodas do Cordeiro, ao qual são convidados os comungantes.

“Tornar mais fraterna a procissão dos que caminham juntos para receber o mesmo Corpo do Cristo”: o canto contribui para a dignidade, a ordem e a coesão do gesto coletivo. Dele decorre sua natureza processional.

 

As antífonas servem para tornar mais claro o gênero literário do salmo; transformam o salmo em oração pessoal; põem em relevo esta ou aquela sentença digna de particular atenção e que doutro modo passaria despercebida; dão ao

salmo um colorido especial, em harmonia com as circunstâncias em que é utilizado; ajudam muito a interpretar o salmo num sentido tipológico conforme as festas,

desde que se excluam acomodações arbitrárias; finalmente, contribuem para tornar a recitação dos salmos mais agradável e variada. (IGLH, 111)

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

SANTA Sé/Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos. Instrução geral do Missal Romano e Introdução ao Lecionário. Brasília: Edições CNBB, 2008.

CNBB. A música litúrgica no Brasil. Coleção Estudos da CNBB, n. 79. São Paulo: Paulus, 1999.

______. A animação da vida litúrgica no Brasil. Coleção Documentos da CNBB, n. 43. São Paulo: Paulinas, 1989. GELINEAU, Giusepe. O canto da missa em seu enraizamento ritual. São Paulo, Paulus, 2013.