A maioria de nós deve saber que o incenso é composto de grãos de cor amarelo-acastanhada, e que é feito de resinas aromáticas. Nem todos saberão que, normalmente, esta resina provém de árvores da família das bosuélias (boswellias), originárias do Oriente.

Nas celebrações em que se usa o incenso, o celebrante coloca-se em pé, dois coroinhas ou acólitos se aproximam; um traz o turíbulo, onde estão as brasas e o outro traz a naveta, onde está o incenso. Normalmente, o celebrante deposita três colherinhas de incenso sobre as brasas. Em seguida, toma o turíbulo com a mão esquerda e com a mão direita faz o movimento de incensação. Qual é o simbolismo do incenso?

A incensação, desde a mais longínqua antiguidade, exprime reverência e oblação, adoração e honra, como ficou registrado nas Sagradas Escrituras:
“Suba minha prece como incenso em vossa Presença, minhas mãos erguidas como oferta vespertina.” (Sl 140,2)
“Outro anjo veio postar-se junto ao Altar, com um turíbulo de ouro. Deram-lhe uma grande quantidade de incenso para que o oferecesse com as orações de todos os Santos, sobre o Altar de ouro que está diante do Trono.”
(Ap 8,3)
“Escolhi-os entre todas as tribos de Israel para serem meus sacerdotes, subirem ao meu Altar, queimarem o incenso e se vestirem diante de Mim.”
(lSm 2,28)

Para quem aceitou e assumiu como princípio a ideia equivocada de que o cristão só pode aceitar aquilo que esteja escrito literalmente na sagrada Bíblia, aí acima está a tão solicitada “prova bíblica” de que o incenso sempre foi usado no culto a Deus. Mas há ainda muito mais. O Livro do Êxodo descreve o uso do Incenso no Antigo Testamento e como entrava na composição dos perfumes usados no culto, segundo a orientação divina:

“O SENHOR disse a Moisés. ‘Escolhe ingredientes, bálsamo, unha aromática, gálbano, diversos ingredientes e incenso puro em partes iguais. Farás com esta mistura um perfume composto segundo a arte de perfumista; misturado, será coisa pura e santa. Reduzi-lo-ás a um pó fino e colocá-lo-ás diante do testemunho na tenda da reunião, onde Me encontrarei contigo. Este perfume será para vós uma coisa santíssima. Não fareis para vosso uso outro perfume com a mesma composição. Considerá-lo-ás coisa sagrada, reservada ao SENHOR. Quem dela fizer uma imitação para aspirar o aroma, será excluído do seu povo.” (Ex 3,34-38)

Nas descrições bíblicas, vemos como desde sempre a Liturgia sagrada fez uso do incenso: nesta ilustração do ‘Santo dos santos’, vemos o candelabro de ouro, a altar com pães e o incenso, – elementos ainda hoje presentes na liturgia católica.

O uso do incenso é apresentado também nos Livros dos Provérbios e do Cântico dos Cânticos:

“O perfume e o incenso alegram o coração.” (Pr 27,9)
“Que é isto que sobe do deserto como uma coluna de fumo, como aroma de mirra e de incenso?” (Ct3,6)
“Antes que refresque o dia e desapareçam as sombras, irei ao monte da mirra e ao outeiro do incenso.” (Ct 4,6)

É necessário lembrar e deixar claro que o uso do incenso na liturgia da Igreja Católica nada tem a ver com os “defumadores” usados nos cultos ditos “afrobrasileiros”, e nem com as varetas usadas nas religiões asiáticas e orientais no geral. Para nós, católicos, o uso do incenso é o mesmíssimo que os antigos sacerdotes em Jerusalém faziam diante da tenda da antiga Aliança, no lugar chamado Santo dos santos, onde se encontrava o altar do incenso. Também a primeira página da história da Nova Aliança foi escrita enquanto Zacarias, – pai de São João Batista, – oferece sacrifício de incenso no Santuário do Templo (Lc 1,9).

Interessa notar que o uso litúrgico do incenso é compartilhado com as igrejas ortodoxas e também com algumas comunidades protestantes históricas. É uma riqueza litúrgica, no início das Missas solenes, quando se rodeia o Altar onde se oferecerá o Sacrifício incruento, – renovação do Sacrifício no Calvário, do Corpo e Sangue do Cordeiro de Deus, – incensando-o. É glorificação e honra ao Rei e Senhor, pois o Altar da igreja representa Cristo.

  • Já no Ato Penitencial o incenso se destina a purificar, limpar, expiar os pecados.
  • No Evangelho que vai ser lido o incenso é respeito e veneração ao Livro Sagrado, outra homenagem ao Cristo que nos fala.
  • Note-sem que a incensação, em nossas celebrações, é feita também aos ministros e à assembleia, como um gesto de reverência, porque formam um só Corpo com Cristo.
  • Quando se incensa as oferendas do pão e do vinho, o Altar, o celebrante e outros sacerdotes presentes e/ou o povo de Deus, meditamos dentro de nós: “Eleve-se Senhor, minha oração como este incenso à vossa presença,e desça sobre nós a Vossa Misericórdia”.
  • Quando no momento da consagração se incensa o Corpo e Sangue do Senhor, elevados para adoração dos fiéis, recordamos a Epifania:

“Ao entrar na casa viram o Menino com Maria, sua mãe, e, prostrando-se, o homenagearam. em seguida, abriram seus cofres e ofereceram-lhe presentes: ouro, incenso e mirra.” (Mt 2,11)

Vemos no Evangelho como esse material, que segundo alguns “pastores” seria “símbolo de paganismo” foi o primeiro presente entregue a Nosso Senhor, – e exatamente aquele pelo qual a Sagrada Escritura identifica aquele Menino, – Jesus, – como Deus.

O Incenso segundo IGMR  *Instrução Geral do Missal Romano

276. O queimar incenso ou a incensação exprime reverência e oração, como vem significado na Sagrada Escritura (cf. Salmo 140, 2; Ap 8,3).

Pode usar-se o incenso em qualquer forma de celebração da Missa:
a) durante a procissão de entrada;
b) no princípio da Missa, para incensar a cruz e o altar;
c) na procissão e proclamação do Evangelho;
d) depois de colocados o pão e o cálice sobre o altar, para incensar as oblatas, a cruz, o altar, o sacerdote e o povo;
e) à ostensão da hóstia e do cálice, depois da consagração.

277. O sacerdote, ao pôr o incenso no turíbulo, benze-o com um sinal da cruz, sem dizer nada.
Antes e depois da incensação, faz-se uma inclinação profunda para a pessoa ou coisa incensada, excepto ao altar e às oblatas para o sacrifício da Missa. Incensam-se com três ductos do turíbulo: o Santíssimo Sacramento, as relíquias da santa Cruz e as imagens do Senhor expostas à veneração pública, as oblatas para o sacrifício da Missa, a cruz do altar, o Evangeliário, o círio pascal, o sacerdote e o povo.

Com dois ductos incensam-se as relíquias e imagens dos Santos expostas à veneração pública, e só no início da celebração, quando se incensa o altar.

A incensação do altar faz-se com simples ictus do seguinte modo:
a) se o altar está separado da parede, o sacerdote incensa-o em toda a volta;
b) se o altar não está separado da parede, o sacerdote incensa-o primeiro do lado direito e depois do lado esquerdo.
Se a cruz está sobre o altar ou junto dele, é incensada antes da incensação do altar; aliás, é incensada quando o sacerdote passa diante dela.

O sacerdote incensa as oblatas com três ductos do turíbulo, antes de incensar a cruz e o altar, ou fazendo, com o turíbulo, o sinal da cruz sobre as oblatas.

Vejam como é o turíbolo na Catedral  de São Tiago em Compostela