O Papa Francisco manifestou o desejo de que o bispo argentino de Quilmes Dom Jorge Novak da Sociedade Verbo Divino, falecido em 9 de julho de 2001, seja beatificado e canonizado. “Eu me lembro do grande bispo padre Novak, esperamos vê-lo nos altares”, disse o papa em uma saudação à comunidade de bispos argentinos que estavam em visita a Roma.

A Congregação para as Causas dos Santos, autorizou a diocese de Quilmes através do bispo Monsenhor Carlos José Tissera, a iniciar as investigações para beatificação e canonização do Servo de Deus Jorge Novak SVD. Segundo Tissera, a cerimônia de abertura para as investigações está agendada para 11 de dezembro e ele conta com a participação e as orações de todo o povo de Deus: “Este momento será o começo de um longo período de trabalho para as Comissões indicadas, para que no futuro, se Deus quiser, o Bispo Jorge seja uma testemunha e luz para toda a Igreja.”

Jorge Novak 

Nasceu em 4 de março de 1928 no pequeno centro rural de Buenos Aires em São Miguel Arcanjo. Ele entrou na Congregação do Verbo Divino em 1º de março de 1947, onde fez sua primeira profissão religiosa. Em 01 de março de 1953, fez sua profissão perpétua, e pouco menos de um ano depois, em 10 de Janeiro de 1954, foi ordenado sacerdote.

Na Congregação do Verbo Divino foi prefeito de estudantes de teologia, reitor do seminário, conselheiro provincial e provincial superior. Em 7 de agosto de 1976, Paulo VI nomeou-o Primeiro Bispo de Quilmes, diocese criada por Bula do mesmo Papa em 26 de junho daquele ano. 

Durante o seu ministério episcopal na nova diocese de Quilmes, desenvolveu um intenso dinamismo pastoral na chave da comunhão e participação. A criação de numerosas paróquias e capelas, bem como o desdobramento de muitas iniciativas de atenção religiosa e promoção humana, demonstram o profundo espírito missionário do P. Bispo Jorge Novak.


Convalescente, afetado pela síndrome de Guillain-Barré (1985)

Em 1984, durante uma viagem à Costa Rica, ele sofreu a doença de Guillain Barré, que paralisou totalmente seu corpo. Graças à sua perseverança, ele recuperou suas habilidades motoras pouco a pouco.

Ele morreu em 9 de julho, 2001 (em consequência de um tumor cancerígeno no estômago), após vinte anos de incansável serviço à evangelização, a opção preferencial pelos pobres, a defesa dos direitos humanos e diálogo ecumênico. Sua vida e sua palavra são sinais inconfundíveis do amor de Jesus Bom Pastor. Isto foi evidenciado pelas palavras proferidas por diferentes pastores da Igreja Mas acima de tudo, a manifestação de tristeza e dor dos fiéis, que acompanharam a partida de seu pai e pastor.

Novak foi caracterizado por sua enérgica defesa dos direitos humanos durante a ditadura militar, ao denunciar ações que violavam a dignidade humana. Essa atitude lhe valeu o apelido de “bispo vermelho” pelas hierarquias militares, causando também incompreensão em muitos de seus colegas. Além de sua incansável pregação em favor dos mais pobres, levava uma vida austera, discreta e de grande espiritualidade.

Padre Jorge Novak 1928-2001

Pascom Fajardo