Edição para SVD-Esdeva: Alessandro Faleiro Marques, com informações do Generalato SVD e SSpS, Agência Fides e Pe. Vagner Apolinário, SVD –

sudao do sul

Os missionários do Verbo Divino (SVD) e as missionárias servas do Espírito Santo (SSpS) foram obrigados a sair temporariamente o Sudão do Sul. Segundo relatos dos religiosos, membros de outras congregações também tiveram de deixar o país. Uma guerra civil se agrava rapidamente na jovem nação com cerca de 12 milhões de habitantes, localizada no nordeste da África.

Na manhã desta quarta-feira, 3 de agosto, o Superior-Geral dos verbitas, Pe. Heinz Kulüke, recebeu uma mensagem do Pe. Albert Fuchs, provincial do Quênia-Tanzânia, comunicando que os quatro missionários haviam sido acolhidos no país. Entre eles está o Pe. Francis Naduviledathu, superior da missão no Sudão do Sul, que também enviou notícias ao Pe. Heinz, afirmando que haviam sido recebidos na casa verbita de Nairóbi, capital queniana, e que estavam bem.

Padre Heinz conseguiu entrar em contato com Pe. Francis por telefone. O Superior-Geral disse estar aliviado e feliz pelos confrades terem chegado em segurança ao Quênia, apesar dos grandes riscos da viagem. A saída segura dos religiosos foi possível graças à intervenção de vários diplomatas e verbitas poloneses.

Padre Francis relatou as dificuldades vividas no Sudão do Sul, especialmente o drama que o grupo de missionários viveu diante da guerra que se alastra pelo país. Ele disse que todos precisam de um tempo para descansar, refletir e orar sobre as experiências traumáticas e pelas pessoas que foram obrigados a deixar para trás.

O futuro da missão no Sudão do Sul preocupa os verbitas. Os quatro missionários, o coordenador da Zona África-Madagascar (Afram), Pe. Joseph Kallachira, e o Pe. Albert Fuchs vão se reunir para traçar um planejamento de emergência, para não deixar desassistida a comunidade atendida pelos SVD.

Servas do Espírito Santo

As missionárias servas do Espírito Santo também tiveram de deixar o Sudão do Sul. Segundo informações das SSpS, as religiosas foram transferidas para a Etiópia. Em maio, a irmã Veronika, médica e diretora de um centro de saúde em Yei, foi assassinada por militares sul-sudaneses enquanto levava um enfermo a um hospital.IRMA

A irmã Leema Rose enviou uma mensagem às servas no dia 15 de julho. Ela relatou o drama das pessoas que tiveram de fugir para áreas isoladas, a situação dramática de uma escola mantida pelas SSpS e o desejo das religiosas de ficarem para cuidar do povo, o que não foi possível. Ela também agradeceu as orações.

Bispo alerta para tragédia

“Se o Sudão do Sul for ignorado, a onda de refugiados que chega às costas europeias pode crescer”, adverte Dom Barani Eduardo Hiiboro Kussala, bispo de Tombura-Yambio e presidente do Conselho Inter-Religioso por Iniciativa de Paz (ICPI, na sigla inglesa). Dom Kussala dirigiu um apelo à comunidade internacional para que “continue a desempenhar seu papel-chave e persuadir o presidente Salva Kiir e o ex-vice-presidente Riek Machar a retornarem à mesa de negociações e cumprir o acordo de divisão de poder assinado em agosto do ano passado”.

Os novos combates entre as facções de Kiir e Machar, iniciados em julho, obrigaram este último a fugir da capital, Juba. Machar, com base nos acordos de agosto de 2015, tornou-se primeiro vice-presidente, mas foi destituído do cargo. Seu lugar foi assumido por Taban Deng Gai, membro do partido de Machar (SPLA-IO), que passou a ser aliado de Kiir.

A situação humanitária em Juba e no resto do país está precária. Os atendimentos emergenciais estão sendo prestados principalmente por organizações católicas e de outras confissões cristãs. “Com a ajuda internacional, da Igreja Católica e de outros membros do Conselho de Igrejas do Sudão do Sul, de agências como Cafod e Trocaire, Cáritas e outras agências humanitárias, ajudamos essas populações a sobreviver e podemos garantir que nosso país tenha um futuro”, afirma Dom Barani.

O bispo ressalta que o Sudão do Sul é potencialmente muito rico, não apenas de petróleo, mas de diversos minerais, e tem grande potencial agrícola. O conflito provocado por uma “pequena minoria” impede o desenvolvimento do país.

Dom Barani denuncia que a tragédia do Sudão do Sul passou em segundo plano na mídia por causa dos atentados terroristas na Europa e em outras partes do mundo. Para o prelado, a Europa não pode ignorar a guerra civil sul-sudanesa, pois o Velho Continente corre o risco de ser invadido por outra onda de refugiados.