Como aplicar a Obras de Misericórdia num tempo tão extraordinário? Tradução do documento da Conferência Episcopal dos Estados Unidos da América.

 
“Frequentemente são as pessoas mais próximas de nós que precisam da nossa ajuda. Não devemos ir em busca de sabe-se lá quais feitos a realizar. É melhor iniciar pelas mais simples, que o Senhor nos indica como as mais urgentes.”
— Papa Francisco, Audiência Geral (12/10/2016)

 

As Obras de Misericórdia Corporais

As Obras de Misericórdia Corporais fazem parte dos ensinamentos de Jesus e são um modelo para saber como tratar os outros; elas são “acções caritativas através das quais nós ajudamos os nossos vizinhos nas suas necessidades corporais” (Catecismo Católico dos EUA para adultos).

Dar de comer a quem tem fome

  • Veja na comunidade da sua paróquia para ver se há paroquianos que não podem (ou não devem) ir às compras.

  • Veja se o banco alimentar local tem alimentos suficientes.

  • Organize uma rede de voluntários em cada paróquia/comunidade para ir às compras pelos paroquianos que precisam, especialmente pelas pessoas mais vulneráveis na nossa comunidade.

Dar de beber a quem tem sede

  • Não compre ou açambarque mais água que aquela que precisa.

  • Enquanto lavar as mãos é muito importante, faça um esforço para não desperdiçar água – em solidariedade com os nossos irmãos e irmãs em Cristo que não têm acesso a água potável e sofrem da falta deste bem essencial.

Vestir os nus

  • Contacte aqueles que possam estar especialmente sobrecarregados durante esta pandemia, especialmente aqueles cuja profissão os torna mais vulneráveis à instabilidade económica.

  • Lembre-se que a falta de celebrações comunitárias da Eucaristia pode fazer com que algumas paróquias tenham dificuldades financeiras nos próximos meses; tente manter o seus apoio e, se possível, aumente a sua doação por aqueles que não podem doar devido à recente crise económica ou incapacidade de trabalhar.

  • Lembre-se que as instituições católicas, como a Cáritas, continuam a apoiar os mais vulneráveis e considere fazer uma doação ou orar por estas instituições.

Dar pousada aos peregrinos

  • Considere doar artigos de higiene pessoal e itens sanitários para um abrigo local já que os sem-abrigo – e as instituições que os albergam – são especialmente vulneráveis nesta altura.

  • Apoie financeiramente organizações que estão a trabalhar para apoiar os sem-abrigo na sua comunidade.

Assistir os enfermos

  • Enquanto visitas em pessoa não são possíveis nesta altura, por favor invista tempo em contactar por chamada de telefone/vídeo ou por carta aos que podem estar mais isolados nesta altura.

  • Ofereça-se para ajudar auxiliares de doentes crónicos na sua família e faça compras ou cozinhe por eles para que não tenham que correr riscos.

  • Contacte profissionais de saúde da sua comunidade. É provável que estejam sobrecarregados. Ofereça-lhes ajuda como puder.

Visitar os presos

  • Descubra se a sua diocese tem uma pastoral penitenciária e, se sim, veja de que forma pode contribuir.

  • Dado que as pessoas nas prisões podem estar especialmente isoladas e vulneráveis durante esta pandemia, considere como pode ajudar os que acompanham os reclusos.

Enterrar os mortos

  • Com as restrições impostas nos funerais, contacte aqueles que recentemente perderam um ente querido.

As Obras de Misericórdia Espirituais

As Obras de Misericórdia Espirituais são há muito uma parte da tradição católica, surgindo nos textos de teólogos e autores espirituais ao longo da história; tal como Jesus atendeu ao bem-estar espiritual daqueles a quem ministrou, estas Obras de Misericórdia Espirituais guiam-nos para “ajudar o nosso vizinho nas suas necessidades espirituais” (Catecismo Católico dos EUA para adultos).

Dar bons conselhos

  • Tranquilize e apoie aqueles que podem estar especialmente ansiosos durante este tempo.

  • Se alguém lhe pedir conselhos, oriente a sua resposta para Cristo, que é o Caminho, a Verdade e a Vida.

Ensinar os ignorantes

  • Com a celebração comunitária da Eucaristia suspensa, aprenda ou ensine alguém a fazer uma Comunhão Espiritual.

  • Aproveite este tempo para se empenhar de novo nos seus estudos e formação e, para aqueles com crianças, tirar partido deste tempo para refletir na fé como família.

Corrigir os que erram

  • Estar confinado num espaço fechado por longos períodos de tempo com famílias ou colegas de casa pode testar-nos em mais do que uma forma, por isso apoie os outros a encontrar o seu caminho e a corrigir os erros.

  • Reconheça a realidade da guerra espiritual nas interações diárias e esforce-se por cultivar as correspondentes virtudes, necessárias para resistir às suas tentações pessoais.

Consolar os aflitos

  • Escreva e envie uma carta a alguém que está a sofrer e deixe-os saber que está a pensar neles.

  • Lembre-se que alguns momentos do seu dia fazem uma grande diferença para alguém que está a passar por um tempo difícil.

  • Considere partilhar ligações para recursos espirituais com aqueles que podem estar isolados, tal como a transmissão direta da celebração Eucaristica, para que possam participar a partir de casa.

Perdoar as injúrias

  • Para as famílias, este tempo pode maximizar as oportunidades para perdoar. Aproveite este tempo para modelar a importância do perdão tanto para esta vida como para a próxima.

  • Não estando disponível o sacramento da Reconciliação, procure fazer um exame de consciência regular.

  • Aprenda ou ensine os membros da sua família a Oração de Exame e/ou o Terço da Divina Misericórdia.

Sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo

  • Pratique, desenvolva e fortaleça as virtudes da temperança, prudência, força moral e justiça.

  • Quando frustrado com alguém, afaste-se da situação, respire fundo, e reze o Pai Nosso, pedindo a Deus paciência.

  • Comprometa-se a orar a Via Sacra uma vez por semana.

Rogar a Deus por vivos e defuntos

  • Ore o rosário com a sua família através de videoconferência, se necessário, por todos aqueles que estão a sofrer os efeitos desta pandemia.

  • Tenha um livro de intenções de oração, escrevendo os nomes daquele que mantém nas suas orações, e diga às pessoas que está a orar por elas.

  • Pergunte a um amigo ou membro da sua família se há algo no qual possa orar por eles.

 

 

 

Fonte: https://www.diocese-braga.pt/noticia/1/24476